Governo e empresas de pedágio trocam críticas
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 30 de janeiro de 2004
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Depois de um período de relativa calmaria no início do ano, o governo estadual e as concessionárias de pedágio voltaram a trocar farpas. O motivo foi a publicação de uma reportagem do jornal Valor Econômico em diversos jornais do Estado. A reportagem afirmava que a decisão do governador Roberto Requião (PMDB) de desapropriar as concessionárias de pedágio estaria causando a desvalorização de ações de empresas paranaenses como a Sanepar e a Copel.
A troca de farpas aconteceu após o governo apurar que a matéria foi veiculada mediante pagamento feito pela Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR). Nas faturas emitidas, entretanto, o pagamento aparecia como se tivesse sido feito à agência TX Publicidade pelo Sindecrep, sindicato que reúne os empregados das concessionárias de rodovias. O presidente do Sindecrep, José Américo, negou que tivesse autorizado a publicação da matéria.
Após o governo manifestar-se contra a postura do presidente da ABCR no Paraná, João Chiminazzo Neto, os dois lados começaram a trocar acusações. Chiminazzo afirmou a uma rádio que ''o governo estaria lançando uma sucessão de bravatas e lançando acusações indevidas contra empresas apenas para tentar cumprir as promessas da campanha eleitoral''. Durante a campanha, o governador Roberto Requião afirmou que as concessionárias seriam forçadas a baixar o preço ou seriam extintas.
O governo retrucou as acusações através do assessor especial de Requião, Benedito Pires. Em nota oficial, Pires afirmou que ''o maior risco para as concessionárias é manter como porta-voz alguém boquirroto e mal informado como o senhor Chiminazzo. Cada vez que ele deita falação, mais o governo do Estado se convence que o abuso do pedágio tem que acabar.'' Chiminazzo não foi encontrado pela reportagem para comentar a afirmação de Pires.


