Brasília - Às vésperas da votação da medida provisória (MP) que fixa em 260 reais o valor do salário mínimo, o governo foi surpreendido ontem com uma rebelião da bancada do PMDB no Senado, que ameaçou votar contra o valor estipulado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Liderado pelo senador Ney Suassuna (PMDB-PB), o movimento foi controlado pelo Palácio do Planalto. Mas, no início da noite de ontem, líderes de partidos aliados reuniram-se com Lula para alertar que o governo não tinha votos suficientes no Senado com o objetivo de aprovar a MP do mínimo.
Diante do placar desfavorável ao Planalto, os líderes de oposição decidiram que tentarão votar a MP hoje. Nos cálculos dos oposicionistas e de governistas, dos 46 senadores da base aliada, 11 estão dispostos a votar contra o governo - a administração federal teria apenas 35 votos para aprovar os 260 reais. Para aprovar a MP, o governo precisa ter 41 senadores votantes e obter a maioria dos votos. ''O salário mínimo transformou-se num pretexto de uma luta política entre o governo e a oposição'', resumiu o líder do governo no Congresso, senador Fernando Bezerra (PTB-RN), antes de se reunir com Lula.
A caça de votos favoráveis à MP no Senado tornou-se desesperadora. Ontem à tarde a líder do PT no Senado, Ideli Salvati (SC), tentou por quase uma hora convencer a senadora Roseana Sarney (PMDB-MA) a não votar contra o governo. Em fevereiro, Ideli propôs a abertura de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar o caso Lunus, que encontrou R$ 1,3 milhão no cofre da empresa de propriedade de Roseana e do marido dela, Jorge Murad.
A rebelião no PMDB foi liderada por Suassuna e, rapidamente, ganhou a adesão de outros quatro peemebistas, que estão insatisfeitos com o tratamento que recebem do Palácio do Planalto. Para tentar contornar a crise, o chefe da Secretaria de Coordenação Política e Assuntos Institucionais da Presidência da República, Aldo Rebelo, almoçou com um grupo de senadores do PMDB na casa de Suassuna. ''Foi um muro de lamentações, onde cada senador mostrou toda a sua insatisfação com o governo'', disse Suassuna. No encontro, Rebelo afirmou que o ''País é grande demais para ser dirigido apenas pelo PT'' e defendeu a coalizão de forças políticas. Segundo senadores do PMDB, ele observou que ''alguns'' petistas entendiam que podiam fazer isso sozinhos.
Assim que chegou ontem pela manhã ao Senado, Suassuna ameaçou entregar o cargo de vice-líder do governo no Senado. A atitude de Suassuna foi em represália à decisão do Planalto de preencher os cargos de diretores do Instituto Nacional do Semi-Árido (Insa) com indicados pelo governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB). O governador tucano é adversário político de Suassuna e do senador José Maranhão (PMDB-PB), outro que também ameaçou votar contra o governo. ''Só quero respeito. Quero ser tratado como aliado que sou'', disse Maranhão.

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