Governo do Rio passa pior crise financeira da década
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sábado, 07 de junho de 1997
Agência Folha Rio de Janeiro 
Dois anos e cinco meses após assumir o governo do Rio, o governador Marcello Alencar (PSDB)
enfrenta a maior crise financeira do Estado na década, com arrecadação em queda, despesas crescentes e dívidas em expansão. A crise, apontada em relatório do conselheiro Sérgio Quintella, do TCE (Tribunal de Contas do Estado), provocou mudanças na administração.
Os secretários Marco Aurélio Alencar e Edgard da Rocha trocaram de cargos: Alencar, filho do governador, assumiu a Fazenda, e Rocha, o Planejamento. Segundo a secretaria de Planejamento, desde o governo passado o Estado paga seus compromissos com um atraso estrutural de três meses. Há um ano e meio não são pagos triênios, terço de férias e outras vantagens aos servidores. Os institutos de previdência e assistência médica do Estado deixaram de receber, em 1996, R$ 128 milhões, descontados dos funcionários e não repassados. Cerca de 5% dos 400 mil servidores ainda não receberam o 13.o salário do ano passado.
Em 96, os juros e amortização da dívida consumiram 11,8% dos gastos do Estado, mais do que o aplicado em saúde (3,4%), segurança (6,7%) e pouco abaixo da verba da educação (15%). Rombo Encaminhado à Assembléia Legislativa, junto com um parecer do TCE favorável à aprovação das contas de 96 do governador, o trabalho de Quintella indica que o Estado trilha um caminho perigoso. No ano passado, a receita corrente (soma de impostos e receitas estaduais, mais as transferências federais) cresceu 4,2% sobre 1995.
As despesas subiram quase o dobro: 8%. Em 1995, as receitas subiram 16,05% em relação a 1994, e as despesas pularam 19%. Em dinheiro (reais de 31 de dezembro de 1996), os números também assustam. No ano passado, o déficit (despesas sem cobertura de receita) foi de R$ 1,7 bilhão (2,7% do PIB estadual).


