O senador Roberto Requião aproveitou os 20 minutos que o PMDB tem direito junto ao horário eleitoral gratuito, na última segunda-feira, para ‘atirar’ contra o governador Jaime Lerner. O senador, num esquema de pergunta e resposta, acusou Lerner ‘‘de quebrar o Banestado, doar a Ferroeste, vender a Copel a preço vil para tapar os buracos de um governo corrupto’’.
Requião voltou a criticar a política de incentivos fiscais dada às montadoras de veículos que se instalam no Estado. ‘‘O governo arrocha a fiscalização, toma dinheiro do pequeno e dá de presente para a Renault e Chrysler através de contratos e acordos que o povo não conhece e que são considerados pelos picaretas da República como segredo de Estado’’, declarou.
O senador disse que é ‘‘simpático’’ à vinda das montadoras mas que, se eleito em 98, não está disposto a continuar com tal política. ‘‘Acordos secretos não serão cumpridos pelo próximo governo’’, promete. ‘‘O Paraná está falido. As prioridades foram invertidas. Desliga-se a tevê e o governo some. Jogos da Natureza, corrida de tartarugas, mergulho dos surubins, todos em Foz com passagem, hotel e diária de US$ 500’’, ironizou.
Uma ‘tecla’ batida por Requião diversas vezes, durante o pronunciamento, foi a sua ‘inocência’ no processo de bloqueio dos empréstimos externos do Paraná na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos do Senado). ‘‘Já liberamos RS$ 600 milhões de crédito. O dinheiro nunca foi mexido e o Lerner paga taxa de permanência por isso (uma espécie de multa). Seguro os empréstimos quando não há prestação de contas. Eu não sou um senador da Chrysler, da Renault, do Mário Celso Petráglia e nem do Jaime Lerner’’, frisou.
Requião, que foi o relator da CPI dos Títulos Públicos, criticou ainda a compra pela Banestado Leasing de títulos podres dos governos de Alagoas, Pernambuco e Santa Catarina. ‘‘Não quero o Paraná transformado numa Alagoas. Esse governo não tem o mínimo discernimento. Gasta RS$ 80 milhões em jogos para se autopromover’’, acusou. O secretário da Casa Civil, Rafael Greca, nega essa informação e diz que o governo gastou RS$ 31 milhões entre infra-estrutura e divulgação dos Jogos Mundiais da Natureza. (L.D)

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