Curitiba - No mesmo dia que a Assembléia Legislativa do Paraná aprovou um reajuste de 4,46% aos funcionários do Judiciário, os servidores da saúde protestaram na Casa contra o que a representação da categoria chamou de ''desrespeito'' por parte do governo do Estado. O protesto de cerca de 300 servidores da saúde começou pela manhã, em frente ao Palácio das Araucárias, em Curitiba, e se estendeu à tarde na Assembléia. Ninguém chegou a ser recebido pelo secretário de Estado da Saúde, Gilberto Martin, que à Agência de Notícias do governo criticou duramente a manifestação. Entre as reivindicações do SindSaúde (sindicato que representa a categoria no Estado), estão a criação de um plano de cargos, carreiras e salários que permita a redução da jornada de trabalho para no máximo 30 horas semanais, além de reajuste e reposição salarial.
Durante toda a tarde de ontem, a Agência de Notícias veiculou matérias contra a manifestação do SindSaúde. Em uma delas, o sindicato é acusado de manter uma ''postura sectária, que impede o diálogo''. À frente do SindSaúde, Elaine Rodella reagiu às acusações e confirmou a possibilidade de paralisação de setores estratégicos da saúde a partir do dia 7.
Segundo a Agência de Notícias, o sindicato ''ignorou, desconsiderou e omitiu da população'' as discussões feitas entre o governo do Estado e a categoria. ''Lamento a falta de diálogo e a linha de confronto direto estabelecida pelo sindicato. Acho que esta é uma manifestação desnecessária, já que o sindicato sempre teve abertura para conversar e dialogar e o servidores têm obtido conquistas'', disse o secretário Martin à Agência de Notícias.
Em outra matéria, intitulada ''SindSáude gasta dinheiro de associados com queima de fogos em frente ao Palácio das Araucárias'', o governo critica o fato dos representantes da categoria terem gasto dinheiro com camisetas, faixas, aluguel de carro de som, queima de fogos e transporte para servidores de outras cidades do Paraná.
As matérias provocaram uma reação indignada da presidente do SindSaúde. ''O sindicato recebe contribuição mensal e tem reserva para organizar as manifestações. Não somos 'sindicato de gaveta'. Trouxemos caravanas sim e ao Estado não compete interferência em movimento sindical'', afirmou Elaine. Ontem completou um ano de descontos salariais feitos pelo Executivo na folha de pagamento de servidores da saúde que permanecem cumprindo 30 horas semanais.
Segundo Elaine, a redução da jornada está amparada em leis e Portarias federais e no que determina a Organização Mundial da Saúde (OMS). ''A lei federal diz, por exemplo, que um técnico de raios-X deveria fazer 24 horas semanais, por conta da exposição aos raios'', argumenta. Ela também fez críticas ao critério de preenchimento dos cargos comissionados na área da saúde. ''Estão lá por amizade política.''
A briga entre servidores da saúde e o Estado se arrasta desde o primeiro semestre do ano passado, quando um projeto de lei que tratava da redução da jornada foi enterrado pela base aliada no Legislativo.

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