Curitiba - A equipe do governador Beto Richa (PSDB) apresentou, ontem, um cenário em que o Paraná tem um deficit de R$ 4,5 bilhões e um orçamento previsto para este ano que pode não cobrir as despesas de custeio de vários órgãos e secretarias além dos seis primeiros meses. Os números foram divulgados durante a exposição do diagnóstico sobre a situação da administração do Estado em 31 de dezembro de 2010, data em que encerrava o período de oito anos do governo de Roberto Requião (PMDB) e de seu sucessor, Orlando Pessuti (PMDB), adversários políticos do atual governador.
O levantamento foi coordenado pelo secretário do Controle Interno, Mauro Munhoz, e feito com base em informações prestadas pelos secretários estaduais depois de assumirem suas respectivas pastas no início de janeiro. Segundo o secretário-chefe da Casa Civil, Durval Amaral, o diagnóstico só foi possível com o decreto da noventena, que em 3 de janeiro suspendeu todos os pagamentos de contratos e licitações em andamento no Estado. Embora a expectativa fosse que o governo divulgasse também um balanço das medidas adotadas nos 100 primeiros dias de gestão ou mesmo os resultados da noventena, a apresentação se concentrou em ilustrar a situação no Estado antes de Beto assumir o Executivo.
''Nós tivemos ações proativas nas calamidades que aconteceram no Litoral do Estado e ainda recentemente na Região Metropolitana de Curitiba. Mas não podemos deixar de olhar para o passado, fazendo um diagnóstico da situação encontrada para que possamos encontrar os caminhos e as alternativas para as prioridades que são saúde, segurança, educação. Fizemos um diagnóstico para propiciar a execução dessas metas fixadas pelo governador'', argumentou Amaral ao ser questionado sobre quais ações o governo já realizou.
Segundo o chefe da Casa Civil, foram excluídos do deficit apresentado os valores referentes aos precatórios e à dívida fundada interna. ''Quando colocamos os precatórios, sem a correção, chega a R$ 12 bilhões. Nós não trouxemos para o relatório porque são heranças malditas também de outros governos. Se nós formos acrescentar a dívida fundada interna nós já vamos para mais R$ 8 bilhões ou R$ 9 bilhões.''
Amaral garantiu que o governo irá pagar todas as dívidas contraídas regularmente e que estão inscritas como resto a pagar, mas que tenham suporte financeiro. ''Todas as dívidas deixadas pela administração anterior que tenham irregularidades na sua constituição serão auditadas e encaminhadas aos órgãos competentes, como Tribunal de Contas e Ministério Público. As obras já executadas ou em andamento e com irregularidades sanáveis, o Estado, após ouvir o TCE e o próprio MP, deverá executar o pagamento. O Estado não vai dar calote'', garantiu.
O secretário não soube precisar, no entanto, qual é a dívida pública estadual que precisa ser paga no curto prazo. Segundo ele, o valor estaria em torno de R$ 1 bilhão.

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