Curitiba - O governador Roberto Requião se reuniu ontem com entidades ligadas ao setor ferroviário para debater propostas para o processo de intervenção do governo do Estado na Ferropar, concessionária que administrava a Ferrovia Paraná-Oeste (Ferroeste). O encontro também serviu para discutir a revitalização do sistema ferroviário e a proposta de criação de um novo corredor ferroviário no Paraná, entre Guarapuava e Ponta Grossa. Após a reunião, as entidades se reuniram em uma audiência pública na Assembléia Legislativa.
Na abertura da audiência pública, o governador afirmou que as ferrovias, assim como as companhias de saneamento e de energia elétrica, devem viver de subsídio cruzado. ''As linhas de grande densidade de transporte que conseguem algum lucro significativo têm que ajudar a sustentar o sistema. E as linhas com menos possibilidade de lucratividade são sustentadas pelo lucro global do sistema, induzindo o desenvolvimento até que sejam auto-suficientes e lucrativas'', explicou o governador. ''Mas o subsídio cruzado não existe na privatização. A iniciativa privada mantém ramais de alta lucratividade e desativa ramais indutores de desenvoviemnto do País'', criticou.
A intervenção do governo do Paraná na Ferropar deve durar, em princípio, seis meses. Agora está sendo realizada auditoria nas contas da companhia. Requião afirmou na audiência pública que é positivo o fato de um grupo de antigos engenheiros ferroviários participarem do processo ''gerando propostas alternativas, propondo soluções, numa demostração que ainda existe inteligência viva no Paraná e no Brasil''.
Esta foi a primeira de duas audiências que vão acontecer sobre o tema. As audiências fazem parte do debate nacional sobre a reestruturação e gerenciamento das ferrovias federais, através de projeto que será apresentado no Congresso Nacional ainda este ano.

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