Brasília - O ''momento mais adequado'' para fazer as primeiras mudanças no ministério, citado ontem pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pode ser a primeira quinzena de outubro. No cronograma dos estrategistas do Palácio do Planalto, antes de fazer alterações na equipe para reacomodar as forças aliadas, agora com um PMDB forte na base, o governo quer duas garantias: a aprovação da reforma da Previdência no Senado e um acordo em torno da reforma tributária, assegurando à União os R$ 24 bilhões da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) e a aprovação da Desvinculação de Receitas Orçamentárias (DRU).
A mudança no primeiro escalão do governo seria antecipada para atender o PMDB, que quer pelo menos dois ministérios. Os entendimentos do comando político do governo com a cúpula do partido foram precipitados pela filiação do secretário de Segurança Pública do Estado do Rio, Anthony Garotinho, e seu grupo, ontem (19). Com as novas adesões, o PMDB atingiu o status de segunda maior bancada no Congresso, depois do PT, o que significa que nenhum interesse do governo passa pela Câmara ou Senado sem o aval do partido. Foi o que dirigentes do partido frisaram nas conversas com palacianos.
Neste primeiro encontro, do qual participaram o chefe da Casa Civil, José Dirceu; o presidente nacional do PT, José Genoíno; o presidente do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP), e os líderes do PMDB na Câmara, Eunício Oliveira (CE), e no Senado, Renan Calheiros (AL), o PMDB deixou claro que não lhe basta uma vaga no ministério.
''Se não resolvermos as questões políticas, deixando a bancada satisfeita, não haverá o pacto estratégico de poder que nós buscamos'', diz Calheiros, para quem é imprescindível que o governo defina, e já, uma parceria eleitoral com o PMDB. ''Este pacto, que vai produzir uma aliança duradoura e confiável para um governo de centro-esquerda, passa pela parceria entre PMDB e PT nas eleições municipais'', completa.
O acordo com o Planalto inclui também as presidências da Câmara e do Senado, com a manutenção da partilha atual (PMDB no Senado e o PT na Câmara). Mas desta vez, o governo não mais interferiria na sucessão do Senado em favor de Sarney. Depois de mostrar a força no comando da tropa peemedebista e na articulação que trouxe Garotinho ao partido, Calheiros credenciou-se como interlocutor que tem de ser respeitado se o partido quiser o apoio do PMDB.

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