Governo discute a terceirização de veículos e já revê contratos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de abril de 1999
Leandro Donatti 
O governo do Paraná está rediscutindo a terceirização da frota de carros que presta serviços às secretarias e demais órgãos públicos. O assunto é tema de debate do Conselho de Reestruturação e Ajuste Fiscal (Crafe), que tem defendido uma redução nos gastos com os serviços, mas que ainda não tem uma posição fechada sobre o assunto. O Crafe cancelou reunião ontem, marcada para tratar da matéria.
Há um entendimento entre os secretários que alguns contratos mantidos atualmente pelo governo são desvantajosos. Razão pela qual o Conselho está disposto a rever todos os 800 contratos de terceirização renovados ainda no ano passado. Alguns já começaram a passar pela malha-fina do governo. As concessionárias Cotrans e Ouroverde são as maiores prestadoras de serviço do governo do Estado.
A secretária de Administração, Maria Elisa Paciornik, guarda a sete chaves um levantamento já feito por ela sobre os gastos que o governo tem com os contratos. Ontem, ela se recusou a falar com a reportagem da Folha. A secretária não quer adiantar o teor do seu estudo para evitar reações, já que o tema é polêmico. A terceirização atinge todas as secretarias.
No primeiro mandato do governador Jaime Lerner, a terceirização teve grande concentração na área de Segurança. Foi criticada pela oposição e até pelo Tribunal de Contas do Paraná, que manifestou-se contra os procedimentos então adotados pelo governo. O número de carros terceirizados pode chegar a 1.500, segundo dados oficiais. A frota total é de 15 mil veículos. Dos quais, 90% são de propriedade do próprio governo.
O secretário de Governo, José Cid Campêlo Filho, admite que a matéria tem suscitado debate no Crafe. Segundo ele, o governo mantém hoje contratos que trazem prejuízos, e que devem ser revistos. Precisamos rever algumas coisas. Existem propostas boas, observou. Por exemplo, temos aqui um contrato de 12 Fiestas, a um preço de R$ 687,00, cada um ao mês. Incluída a assistência, exemplificou.
Campêlo não deu exemplos de contratos desvantajosos. O que precisamos conferir é se os 15 mil carros que o Paraná detém hoje estão em boas condições. Os veículos estão diluídos por todo o Estado, assinalou. O secretário disse que o plano de ajuste fiscal baixado pelo governador em novembro passado suspendeu a aquisição e locação de novos veículos. O secretário não deu informações sobre a compra recente de 43 Renault Clio e seis Toyotas Hilux para a Secretaria de Saúde.
Os veículos estão adormecidos num galpão do Departamento de Material, órgão do governo, em Curitiba, há pelo menos um mês. Os carros aguardam licenciamento do Detran e também adequação legal para se integrarem à campanha de combate à dengue.
Uma lei aprovada pela Assembléia Legislativa determina ao poder público a compra de somente carros a álcool. Todos os veículos do galpão, adquiridos em parceria com o governo federal, são a gasolina. A lei dos deputados é tida como defasada, já que a maioria das montadoras hoje têm se concentrado na produção de veículos a gasolina.
O preço médio de cada um dos 43 Renault Clio é de R$ 16 mil. O valor das Toyotas Hilux oscila entre R$ 23 mil e R$ 51 mil. O governo não informa se houve qualquer tipo de desconto na compra dos Clio, já que uma das fábricas da montadora francesa está instalada na Região Metropolitana. A compra total custou algo em torno de R$ 800 mil.
O depósito aonde estão estacionados os carros foi descoberto pelo Sindisaúde. O galpão está nas proximidades da Cemepar (Central de Medicamentos do Paraná), no bairro Jardim Botânico, na capital. Próximo do local onde estão as três toneladas de medicamentos vencidos que terão de ser destruídos por falta de uso.


