Governo dificulta negociação de emendas parlamentares
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 09 de outubro de 2012
José Lazaro Jr. <br> <br> Reportagem Local 
Curitiba - Começa hoje e vai até o próximo dia 6 de novembro o prazo para os deputados estaduais fazerem modificações na Lei Orçamentária Anual para 2013, quando o Paraná terá R$ 33 bilhões para gastar com serviços públicos, folha de pagamento do funcionalismo e investimentos. No ano passado, o orçamento recebeu 2.501 alterações antes de ser aprovado.
A novidade é que desta vez os políticos não terão garantida a execução de emendas parlamentares nas suas bases eleitorais, como o governador Beto Richa (PSDB) vinha fazendo desde que assumiu o Palácio Iguaçu. Em 2011, cada deputado estadual apontou onde deveriam ser gastos R$ 300 mil, distribuindo o valor onde bem entendesse. Para o orçamento de 2012, a quantia pulou para R$ 2 milhões, resultando numa despesa pré-fixada superior a R$ 100 milhões para os cofres públicos.
''As emendas de 2011 foram executadas integralmente e as de 2012 estão contingenciadas por conta da legislação eleitoral, que regula esses gastos, mas serão cumpridas'', adiantou o deputado estadual Nereu Moura (PMDB), presidente da Comissão de Orçamento da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná. A informação foi confirmada pelo governo estadual. O político minimizou o impacto desse ''corte'' junto à base aliada. ''O deputado terá que articular direto com o governo do Paraná para ter suas demandas atendidas'', explicou.
Para Nereu Moura, é mais vantajoso aos deputados direcionarem itens dos programas estratégicos de governo que ficar destinando emendas parlamentares. ''Com R$ 2 milhões eu tive que dividir para atender as cidades que atendo, deu menos de R$ 50 mil por município. É muito pouco. Melhor é conseguir uma ponte ou estrada, que a execução total já passa desse valor'', contemporizou o político.
Eleição
O impacto do corte das emendas parlamentares poderá ser medido já na próxima semana, quando a AL realiza a eleição para a Mesa Diretora. O presidente da Assembleia, Valdir Rossoni (PDSB), anunciou que o pleito será realizado no dia 16 de outubro. Até o momento, ele encabeçará uma chapa e o PMDB poderá lançar uma composição rival, conforme o deputado estadual Artagão Júnior consiga viabilizar quantidade suficiente de apoio.
A eleição da Mesa Diretora trouxe de volta à AL o deputado estadual Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), que ocupava a Secretaria do Trabalho no governo Beto Richa. Os deputados Marcelo Rangel (PPS) e Péricles de Mello (PT), que se enfrentam na disputa do segundo turno em Ponta Grossa, também adiantaram que só pedirão licença da AL após as eleições do comando da Casa.


