Governo devolve ataque a Janene
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sexta-feira, 19 de maio de 2000
Mari Tortato De Curitiba 
O governo do Estado partiu para o contra-ataque ao presidente do diretório estadual do PPB, deputado federal José Janene, um dia depois de ele ter dito que o Ministério Público de Londrina foi parcial ao poupar o governador Jaime Lerner (PFL), nas acusações de desvio de recursos públicos para a campanha eleitoral de 98. O deputado quer transferir sua responsabilidade de réu para pessoas com credibilidade moral, tentando com isso desviar da opinião pública a ilicitude de seus atos, já reconhecida pelo Ministério Público e que certamente a Justiça vai acolher, reagiu o chefe da Casa Civil, José Cid Campêlo Filho, ao assumir a defesa do governador.
Janene distribuiu material para a imprensa dando conta de várias declarações de gastos de campanha em municípios da região Norte, cujos declarantes afirmam ter feito pagamentos à equipe que trabalhou na eleição de 98 em prol dos candidatos Jaime Lerner, José Janene e Antônio Carlos Belinati. As declarações são datadas de 7 de fevereiro deste ano.
A data das declarações provocou espanto do chefe da Casa Civil. É no mínimo estranho o atraso de datas, já que a eleição foi em 98, aponta Cid Campêlo. A data é posterior ao depoimento de Eduardo Alonso ao Ministério Público em Londrina, que, em 5 de fevereiro, acusou Janene de, no dia anterior 4 de fevereiro tê-lo procurado, por duas vezes, para comprar seu silêncio por 200 mil dólares. Alonso não teria aceito e, em consequência, conforme diz no processo, foi alvo de intimidação física pelo deputado.
Cid Campêlo salienta que as supostas declarações de cabos eleitorais de Janene foram produzidas depois que o deputado federal já sabia que estava envolvido na investigação do Ministério Público.
Para a Casa Civil, os documentos divulgados por Janene que envolvem pagamento de campanha também para o governador Jaime Lerner nada mais são que declarações que podem ser forjadas por qualquer pessoa, em qualquer momento, sem que haja validade legal. Ele volta a afirmar que os gastos da campanha do governador atenderam as normas da legislação específica, e que o comitê financeiro de campanha ao Palácio Iguaçu estava centralizado em Curitiba. Além disso, o secretário argumentou que a campanha teve as prestações de contas aprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
Num último questionamento, o chefe da Casa Civil pergunta se, de posse desses documentos, Janene chegou a anexá-los em sua própria prestação de contas de campanha junto ao TRE.


