Brasília - Sem votos suficientes para aprovar a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) no Senado, o governo deverá pôr na mesa agora, como última cartada, a oferta de redução da alíquota do imposto do cheque, acatando pedido do PMDB e do PDT. A proposta foi discutida ontem em duas reuniões entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), articuladores políticos do governo e o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
Oposição e aliados pedem um corte de 0,38% para 0,36% na alíquota da CPMF, a partir de 2008, mas o valor ainda não está fechado porque a equipe econômica entende que a diminuição deve ser menor. Pelas contas de Mantega, a redução de 0,02% representa uma perda de R$ 2 bilhões em uma receita estimada em R$ 40 bilhões para o ano que vem.
''A CPMF está tranquila'', amenizou Lula, após almoço no Itamaraty com o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, ao responder a uma pergunta dos repórteres que o aguardavam. Mais tarde, o ministro das Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, foi taxativo: ''Não dá para o governo ficar sem a CPMF. É impossível.''
A CPMF e a Desvinculação das Receitas da União (DRU) vencem no dia 31 de dezembro e, para que não sejam sepultadas, têm passar pelo crivo do plenário do Senado até o dia 31 de dezembro. São necessários 49 votos para a aprovação e o governo conta hoje com no máximo 50, margem considerada extremamente apertada.

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