Brasília - A maioria dos integrantes da Câmara dos Deputados defende que o controle da inflação seja a prioridade da política econômica do governo. Levantamento do Instituto FSB Pesquisa mostra que 54% dos deputados querem que o controle da inflação seja prioridade nos próximos meses, enquanto 33% apontam o crescimento da economia como mais importante.
A análise partidária desta preferência revela que o PT, partido da presidente Dilma Rousseff, tem pensamento contrário ao da maioria. Entre os deputados petistas, 49% optam pelo aquecimento da economia como prioridade. Só 24% dizem que o controle da inflação deveria ser o foco do governo.
''Este resultado mostra que os petistas estão mais preocupados com o impacto de uma retração econômica na popularidade do governo Dilma e seus reflexos na reeleição da atual presidente'', analisa o diretor do instituto, Wladimir Gramacho.
Parceiro principal da gestão Dilma, o PMDB não se alinha aos petistas. Entre os peemedebistas, 63% dizem optar pelo controle da inflação. Na oposição, a opinião majoritária é pelo controle da inflação. Os Democratas são os que mais escolhem esse caminho na política econômica: 89%. Em seguida aparecem os tucanos, com 67%.
Desde que o Banco Central surpreendeu e reduziu os juros, economistas têm apontado que o governo Dilma mudou sua prioridade na política econômica: passou a se preocupar mais com o ritmo da economia do que em conter a alta dos preços.
A inflação está em 7,23% no acumulado dos últimos 12 meses, acima do teto da meta, que é de 6,5%. Enquanto isso, o BC reduziu sua previsão de crescimento da economia brasileira de 4% para 3,5% em 2011. A presidente Dilma tem repetido que a meta de seu governo é buscar um crescimento do PIB na casa dos 4%, mesmo discurso do ministro Guido Mantega (Fazenda).
Feita nos dias 27 e 28 de setembro, a pesquisa ouviu 217 dos 513 deputados, distribuídos proporcionalmente segundo o peso de cada sigla. A pesquisa revela que a maioria dos deputados, 66%, espera que o Banco Central continue reduzindo os juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). A taxa básica de juros está em 12% ao ano.
Neste tópico, os petistas são os maiores defensores da redução dos juros (81%). Os tucanos (57%) e os democratas (53%) aparecem no final da lista, mas mesmo assim com posição majoritária pela queda na taxa Selic. ''Como pensamento médio, a Câmara referenda o caminho escolhido pelo Banco Central de aproveitar a janela de oportunidade aberta pela crise e reduzir os juros'', acrescenta Gramacho.

mockup