Governo deve controlar CPI dos Correios
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sexta-feira, 10 de junho de 2005
Folhapress 
São Paulo - Não há perspectiva de acordo entre governo e oposição para a escolha do presidente e do relator da CPI dos Correios e a questão deve ser resolvida através do voto na próxima terça-feira. Como é maioria na comissão, a base aliada deve ficar com os dois postos, controlando a condução dos trabalhos. Arcaria, no entanto, com a imagem de temer investigações.
O impasse gira em torno do nome escolhido pela oposição para a presidência da CPI, o senador César Borges (PFL-BA). O governo não aceita a indicação, alegando que significaria dar o controle ao senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que tem dado trabalho ao Planalto na presidência da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado.
A oposição ameaça obstruir a votação da medida provisória que cria a Superintendência Nacional de Previdência Complementar, que fiscalizará as entidades fechadas de previdência complementar. O prazo para a votação dessa matéria acaba na terça-feira e, se isso não for feito, ela perderá a validade.
As duas partes continuavam irredutíveis ontem. Os governistas acusam a oposição de intransigência, enquanto PSDB e PFL consideram a atitude do governo autoritária. Na reunião convocada em meio à instalação da CPI, anteontem, para se tentar um acordo, tucanos e pefelistas foram irônicos.
Eles aceitaram que o governo escolhesse o nome da oposição desde que pudessem fazer o mesmo com a base aliada. A oposição propôs o nome de Eduardo Suplicy (PT-SP), que tem apoiado todas as comissões parlamentares de inquérito propostas, contrariando a orientação do governo. Os partidos da base aliada queriam que a oposição indicasse o senador Edison Lobão (PFL-MA), que é do grupo do senador José Sarney (PMDB-AP). Além de ser aliado do governo, Lobão possuía duas diretorias do IRB (Instituto de Resseguros do Brasil), que eram acumuladas por Carlos Murilo Goulart Barbosa Lima. Ele foi afastado junto com os demais diretores.
Polícia Federal Os depoimentos dos autores da gravação nos Correios, Joel Santos Filho e João Carlos Mancuso Vilela, foram adiados para hoje. O consultor Arlindo Molina, acusado de envolvimento no caso, também vai prestar depoimento à Polícia Federal. Além disso, será feita a acareação entre Joel Filho, João Carlos Mancuso e o ex-diretor do Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios Maurício Marinho.
Na gravação, Marinho revela um suposto esquema de fraudes em licitações na estatal. O delegado Luiz Flavio Zampronha afirma que outras pessoas também poderão ser ouvidas pela polícia. Segundo ele, no depoimento prestado anteontem, Joel confessou ter recebido R$ 5 mil para fazer a gravação e revelou o nome do mandante. O delegado acredita, no entanto, que pode haver uma ''rede de mandantes''.
João Carlos é engenheiro e Joel Santos Filho é bacharel em Direito. Eles foram presos anteontem em Curitiba. Arlindo Molina foi preso no Rio de Janeiro. A prisão deles é temporária até segunda-feira.


