Governo desmente contratos de R$ 1,3 milhão com Elba e Pelé
A primeira página da Seção 3 do Diário Oficial da União de ontem informava que o governo federal estaria dispensando licitação para contratar a cantora e atriz Elba Ramalho, por R$ 800 mil, para fazer um show no dia do aniversário do presidente Fernando Henrique Cardoso, em 18 de junho. Segundo o D.O., o governo estaria também contratando, por R$ 500 mil, o ex-ministro dos Esportes e ex-jogador Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, para dar uma palestra sobre o futebol no mundo.
Por intermédio de sua assessoria de imprensa, a cantora Elba Ramalho negou a informação. No caso de Pelé, o jogador foi informado da denúncia em São Paulo e pediu ao sócio Hélio Vianna que, em seu nome, solicitasse ‘‘severa investigação do fato pela Presidência da república’’.
De acordo com o D.O., a dispensa de licitação teria sido ratificada pelo titular da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), José Artur Guedes Tourinho, que recentemente foi afastado de seu cargo por determinação da Justiça do Pará, sob acusação de desvio de dinheiro de um fundo do órgão. Tourinho, que voltou ao posto graças a recurso da Advocacia Geral da União, sustentou ontem que a Sudam ignora a procedência das contratações e repudia ‘‘essa ignóbil tentativa de macular e comprometer a seriedade da instituição’’.
A notícia provocou indignação nos deputados de oposição e perplexidade entre os governistas.
O chefe do cerimonial do Palácio do Planalto, Valter Pecly, disse que não tinha conhecimento de nenhum show comemorativo do aniversário do presidente.
O líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves, disse desconfiar que a publicação tenha sido um ato de sabotagem e pediu investigação pela Polícia Federal.‘‘O presidente é sério, e todo mundo sabe que ele costuma passar seus aniversários com a família’’, disse.
Já o líder do PT na Câmara, deputado José Genoíno (PT-SP), e o deputado Marcelo Déda (PT-SE), que apresentou a denúncia ao plenário, encaminharam à Mesa da Câmara um requerimento para que o fato fosse investigado pela Casa. ‘‘Queremos evitar que os documentos desses possíveis contratos sumam, se existirem’’, disse Genoíno. ‘‘Nada é impossível no governo Fernando Henrique: já ficou comprovado que ministros usavam aviões oficiais para sair de férias’’, justificou Déda.
A assessoria de comunicação do Ministério da Justiça, ao qual está ligada a Imprensa Nacional, disse que foi o Sistema de Divulgação Eletrônica de Compras (Sidec), que enviou ao Diário Oficial a notícia sobre as duas contratações. A assessoria disse ainda que as informações chegaram à Imprensa Nacional às 16h30 de anteontem e que o Diário Oficial tem meios para identificar a autenticidade de quem envia os dados. Segundo a assessoria, esse procedimento foi feito e nada de irregular foi encontrado.

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