O governo do Estado cedeu às pressões e recuou do seu objetivo de barrar a apresentação do projeto de iniciativa popular contra a privatização da Companhia Paranaense de Energia (Copel). Temendo um desgaste ainda maior, o líder do governo na Assembléia Legislativa, Durval Amaral (PFL), subiu ontem à tribuna para anunciar que vai ‘‘congelar temporariamente’’ a tramitação de seu projeto de resolução, permitindo que o projeto popular e a proposta do deputado Tony Garcia (PPB) sejam votados. O governo tem sido bombardeado por movimentos populares em todo Estado e pela bancada de oposição, que defendem a manutenção da empresa como estatal.
Amaral garantiu que não vai retirar seu projeto, apenas adiar a votação. Ele disse que o governo tem maioria – 30 votos fechados – e vai derrubar os projetos que revogam a autorização do Estado para vender a empresa de energia. E acrescentou que a mesma maioria vai garantir a aprovação das mudanças no Regimento Interno previstas no seu projeto.
A oposição comemorou o recuo, que considerou uma vitória parcial na briga contra a privatização. Os oposicionistas acusavam Amaral de querer evitar o desgaste dos aliados com a mudança do Regimento. ‘‘Impedindo o projeto popular, eles não passariam pelo constrangimento de votar contra o povo’’, argumentou o líder do PMDB, Nereu Moura. Amaral rechaça a possibilidade. ‘‘Não queremos usar o Regimento como máscara para esconder a posição dos aliados’’, rebateu o porta-voz do Palácio Iguaçu no Legislativo.
A decisão de Amaral dependeu diretamente de uma conversa de mais de uma hora com o presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PTB), no final da tarde de anteontem. ‘‘Foi uma medida sensata’’, resumiu Brandão. Ele acredita que o projeto popular, que será encaminhado hoje ou amanhã, tem chances de ser votado ainda no primeiro semestre. O recesso começa dia 1º de julho. O Palácio Iguaçu programa a venda da Copel para outubro ou novembro.
Amaral aguarda com ansiedade a manifestação do Tribunal de Justiça (TJ) em relação às ações (com pedido de liminar) protocoladas anteontem pela oposição contra seu projeto. Os adversários do governo consideram a matéria inconstitucional, porque prevê validade retroativa. O caso está nas mãos do desembargador Antônio Lopes de Noronha desde as 10 horas de ontem e será julgado pelo Órgão Especial. A posição pode sair ainda esta semana.
Moura afirmou que o líder do governo ‘‘finalmente se tocou que estava fazendo um absurdo’’. Para o peemedebista, Amaral quer ‘‘justificar o injustificável’’. Ele acredita que a oposição contará com adesões de governistas e vai revogar a autorização para vender a Copel. Alguns aliados já se manifestaram a favor do projeto popular e, portanto, contra o projeto de Amaral.
A oposição avalia que o governo quer vender a Copel para resolver problemas de caixa. A versão do Palácio Iguaçu dá conta que a empresa vai perder competitividade se não for privatizada.
O secretário-chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, acatou a decisão da bancada de sustentação. O secretário disse que o Palácio Iguaçu está confiante na maioria.

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