Governo descarta renúncia coletiva de ministros
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sexta-feira, 31 de outubro de 2003
Agência Folha 
Brasília - A pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro José Dirceu (Casa Civil) descartou ontem a renúncia coletiva de ministros e informou que a reforma ministerial será discutida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após sua viagem à África, que termina no próximo dia 8. ''Ontem falei com o presidente e ele deixou claro que em nenhum momento cogitou uma demissão coletiva do ministério. Não há nenhuma hipótese de a reforma ser dessa forma'', afirmou Dirceu. ''Quando o presidente voltar da África vai tomar a decisão de quando e como será feita a reforma'', completou.
Lula planeja fazer uma reforma ministerial para substituir ministros considerados ineficientes, tentar melhorar o desempenho da máquina administrativa e inserir de vez o PMDB no governo, novela que se arrasta há quase um ano. A idéia de renúncia coletiva surgiu dentro do próprio governo para poupar Lula de demitir ministros, alguns dos quais de sua relação pessoal. É um ato comum em vésperas de reforma, mas raro no presidencialismo.
Segundo lembrou o próprio Dirceu ontem, o Brasil tem um regime presidencialista e o presidente pode nomear ministros e secretários sem precisar de uma renúncia coletiva para isso. O ministro negou que a idéia da renúncia coletiva tivesse sido derrubada devido a um suposto mal-estar nos ministérios. ''A hipótese da renúncia coletiva foi afastada pelo presidente, que fez questão que eu desse essa entrevista dizendo isso. É preciso deixar claro para a opinião pública que isso não existe.''
O PMDB quer três, mas deve levar dois ministérios. Lula ainda não decidiu quais. Os nomes mais cotados no partido são os dos senadores Romero Jucá (RR), ao qual o PT tem objeções por ter sido líder no governo passado, Garibaldi Alves (RN) e Hélio Costa (MG), se a pasta for a de Comunicações. Eunício Oliveira é o nome mais cotado da Câmara.
Segundo a reportagem apurou, estão garantidos em seus cargos apenas os ministros que integram o chamado ''núcleo duro'' do governo, formado por José Dirceu (Casa Civil), Antonio Palocci (Fazenda), Luiz Gushiken (Comunicação de Governo) e Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência). Os demais estariam sujeitos ao cadafalso.
Um grupo de cinco ministros frequentam assiduamente as listas do PT e de auxiliares de Lula no Planalto de possíveis demissionários: Anderson Adauto (Transportes), Roberto Amaral (Ciência e Tecnologia), Miro Teixeira (Comunicações), Olívio Dutra (Cidades) e Cristovam Buarque (Educação). Nos últimos dias a relação foi engordada pelos ministros Agnelo Queiroz (Esportes) e Benedita da Silva (Assistência e Promoção Social). Ambos receberam diárias para viagens não-oficiais e foram forçados a devolver o dinheiro aos cofres públicos.


