Governo descarta intervenção na UEL
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sábado, 04 de agosto de 2001
Lúcio Horta<BR>De Londrina 
O secretário de Ensino Superior, Ciência e Tecnologia do Estado, Ramiro Wahrhaftig, afirmou ontem que, ao contrário do que ocorreu na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), o governo não pretende decretar uma intervenção na Universidade Estadual de Londrina (UEL) por conta das denúncias de corrupção envolvendo o reitor Jackson Proença Testa. Ramiro destacou que, legalmente, a universidade tem autonomia e é o Conselho Universitário que deve tomar as medidas que entender necessárias.
Na última sexta-feira, a comissão especial formada pelo Conselho Universitário para apurar as denúncias apresentou o relatório final dos trabalhos. O grupo listou 16 irregularidades, incluindo a primeira denúncia feita pelo apresentador de TV Márcio Mello, indicando estorno de verba publicitária.
Ramiro destacou que a autonomia foi definida pela Lei de Diretrizes e Bases (LDB), de 1997, e pela própria Constituição Federal. E é a primeira vez no país, desde a LDB, que ocorrem problemas relativamente sérios com reitores, observou. Segundo ele, no caso da Unioeste foi necessária a intervenção porque as denúncias eram de fraude em concurso público o que provocaria um ato posterior do governador Jaime Lerner (PFL), ou seja, a nomeação dos concursados.
Já no caso da UEL, acrescentou, não há ato subsequente do governador. O que vai acontecer está restrito às decisões do Conselho Universitário. E vamos respeitar essas decisões. Sobre um eventual pedido de afastamento de Testa, o secretário ponderou que o governo mantém a mesma posição desde que (as decisões) tenham amparo legal.
Questionado se Jackson Testa teria tranquilidade para administrar a UEL após tantas denúncias de corrupção, Ramiro foi cauteloso. Tenho a minha opinião pessoal. Mas como secretário tenho que me manter o mais imparcial possível, respeitando as decisões legais. O que importa é que existem leis que precisam ser respeitadas e um Conselho Universitário, que é o órgão máximo da instituição.
Ramiro acrescentou que já recebeu o relatório da comissão e constatou que as denúncias são graves. Mas ainda precisam ser comprovadas, disse lembrando que o reitor poderá se defender. Ainda segundo ele, o governador tem acompanhado com atenção a crise na UEL. Esse é um processo muito difícil, mas também é um aprendizado, definiu.


