Governo deixa de ser refém do Congresso
A votação pela Câmara da emenda constitucional da reforma da Previdência encerra, praticamente, um período em que o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso ficou dependente da maioria de três quintos nas duas Casas do Congresso. Para garantir o apoio de pelo menos 49 senadores e 308 deputados, distribuídos em oito legendas (partidos que apóiam total ou parcialmente o governo), o Palácio do Planalto passou três anos barganhando cargos, posições, liberação de verbas e até o conteúdo de suas propostas.
Há uma segunda geração de reformas sendo preparada pelos técnicos do governo, mas é pouco provável que haja algum avanço no ano eleitoral. Vão ficar para o segundo mandato do presidente Fernando Henrique, caso se confirme a previsão de que ele se reelegerá, avalia o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). Com a aproximação das eleições, as propostas podem até ser discutidas, mas não haverá clima para que sejam votadas. Abre-se, portanto, uma temporada de trégua no Legislativo.
Desde o primeiro momento, o governo sabia que precisaria de muito esforço para poder votar as reformas constitucionais, avalia o senador Élcio Alvares (PFL-ES), líder do governo. Mas também sempre foi um consenso que essas reformas eram fundamentais para assegurar a estabilidade econômica do País e, por isso, precisavam de toda a nossa atenção para serem votadas, diz o senador.
Alvares faz uma outra avaliação sobre a necessidade das reformas. Ele acha que a votação dessas propostas produz o importante efeito de dar uma sinalização positiva para o mercado internacional. Desde a crise econômica dos países asiáticos, o governo brasileiro tem oferecido respostas rápidas e eficientes para tranquilizar o mercado, lembra o senador. As reformas são outro indicativo que atestam a capacidade do governo de manter a situação econômica sob controle, conta. (AE)





