Curitiba O governo do Estado não pagou ontem a promoção devida ao quadro de carreira dos professores da rede pública. Os professores foram surpreendidos ao verificarem o contracheque e constatarem a ausência da promoção anual, disse o presidente do Sindicato dos Professores do Paraná (APP-Sindicato), José Lemos. O secretário da Administração, Ricardo Smijtink, garantiu que o governo vai pagar as promoções até o final do governo Jaime Lerner (PFL).
O secretário não informou se esse pagamento será feito no mês que vem. Limitou-se a justificar que este mês não foi ''possível processar a folha de pagamentos com as promoções''. Ele descartou rodar uma folha complementar e disse que quando o pagamento for feito terá efeito retroativo ao mês de outubro.
Segundo a APP-Sindicato, cerca de 15 mil professores esperavam o acréscimo correspondente à promoção do quadro de carreiras. A previsão é que os professores teriam acréscimo próximo a 15% em seus salários média de R$ 58,00 para cada professor.
A promoção representa avanços na carreira que o professor conquista quando apresenta uma titulação a mais, através da realização de cursos de pós-graduação e aperfeiçoamento, pelo tempo de serviço e assiduidade. As promoções para o professor foram instituídas em 1976 e todo os anos são pagas em outubro. Em 1999, as promoções não foram pagas e a APP-Sindicato mobilizou a classe para uma greve que eclodiu no início do ano 2000. Os pagamentos das promoções foram retomados.
Lemos salientou que a Secretaria da Educação fez todos os procedimentos para que o valor correspondente às promoções fossem incluídos na folha salarial, o que não aconteceu. As promoções importam num acréscimo de R$ 892.138,96 por mês, segundo cálculos da APP-Sindicato.
Para o secretário, o sindicato está fazendo terrorismo com o atual governo. Mas a APP-Sindicato sustenta que foi informada na Secretaria da Administração que o pagamento das promoções não foi feito por falta de caixa. A entidade se dirigiu ao Banco do Brasil e constatou um depósito acima de R$ 50 milhões na conta do fundo que trata do desenvolvimento do ensino fundamental (Fundef), que pode ser usado para o pagamento dos professores.

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