Governo defende royalties do pré-sal ao Paraná
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sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Maigue Gueths<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O governador Roberto Requião (PMDB) deflagrou, ontem de manhã, movimento suprapartidário em apoio às mudanças do marco regulatório de exploração do petróleo do País e em defesa do Paraná, defendendo que a distribuição dos royalties pela exploração do pré-sal contemple todos os Estados brasileiros. Pelo projeto somente São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, donos da costa marítima que concentra a camada do pré-sal, seriam beneficiados.
Os Estados têm jurisdição até o quebra-mar, daí para frente é propriedade da União. Isso faz pensar que o petróleo do pré-sal é nacional, a ser investido no país e não ser objeto de disputa mesquinha das coordenadas territoriais, disse o governador, que comparou a necessidade de defesa da soberania do petróleo da camada do pré-sal à campanha O petróleo é nosso, em defesa da Petrobras.
A movimentação da classe política paranaense já ficou evidente com a realização de uma audiência pública pela Assembleia Legislativa (AL), há um mês. Desta vez, o evento, com o nome Pré-sal o Brasil no caminho certo, contou com a presença dos ministros Edison Lobão (Minas e Energia) e Paulo Bernardo (Planejamento), do presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli de Azevedo; do presidente da AL, Nelson Justus, além de políticos de vários partidos e lideranças sindicais.
Lobão deixou claro em seu discurso que pelo menos no item sobre a distribuição dos royalties, tem posição parecida com a do governador. O petróleo é nosso e desta vez será definitivamente nosso. Queremos que os recursos sejam distribuídos para todos os Estados, afirmou. Nos últimos três anos, segundo ele, foram distribuídos R$ 32 bilhões em royalties para os três Estados produtores do petróleo, sendo que apenas o Rio de Janeiro recebeu R$ 30 bilhões. Será que estes critérios estão corretos ou tem que ter uma revisão?
Gabrielli disse que para a Petrobras independe o sistema de distribuição de royalties. Pessoalmente, no entanto, ele acredita que a distribuição não pode ser nos moldes atuais, que todos os Estados devem ser beneficiados, mas os Estados produtores deveriam receber uma parte maior.
Lobão fez questão de mostrar o que está em jogo com a exploração do pré-sal. De acordo com ele, em 50 anos de exploração de petróleo, o Brasil conseguiu acumular 16 milhões de barris. E em apenas quatro descobertas, nos quatro postos que já estão operando, já foram retirados 16 bilhões de barris de petróleo. Já temos segurança de mais 50 anos de abastecimento só com estes quatro postos, e vamos ter dezenas de postos. Isso coloca o Brasil entre os países de maiores áreas petrolíferas, disse.
Gabrielli ressaltou, ainda, que a extração de petróleo na camada do pré-sal é uma atividade de baixo risco, ao contrário da exploração de outras áreas. Em 47 pontos explorados até agora, acharam petróleo em 41. Na Bacia de Santos, nos 13 pontos explorados, tem em todos. O risco de exploração é muito pequeno, diferente dos outros, afirmou. Este é um dos motivos, segundo ele, do governo federal ter proposto um novo sistema para a participação das empresas.
Hoje a prática adotada é que todo petróleo retirado do País é de propriedade da empresa responsável pela operação após o pagamento dos royalties à União. Para frear os lucros das empresas exploradoras, o governo mandou quatro projetos ao Congresso Nacional, que preveem que a empresa receberá de volta o dinheiro que gastou e apenas uma parcela do petróleo. Para estas negociações, seria criada a Petrosal, estatal que seria responsável pela venda do produto.
Os projetos preveem ainda a criação de um Fundo Social para receber o lucro do óleo e depois distribuir para os Estados por meio de ações nas áreas de combate à pobreza, educação, cultura, meio ambiente, ciência e tecnologia. O Fundo seria necessário porque, pelo regime da partilha, a União ganhará pelo lucro do óleo, e não só pelos royalties e bônus da assinatura de contrato, como ocorre hoje.


