Governo defende aumento de capital na Sanepar
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quinta-feira, 16 de setembro de 2004
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O presidente do Conselho de Administração da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), Pedro Henrique Xavier, disse ontem que o aumento de capital da ordem de R$ 400 milhões é fundamental para a sobrevivência da empresa. Com a retomada do comando da Sanepar pelo governo do Estado, que é sócio majoritário, Xavier vai convocar uma reunião extraordinária do conselho para o próximo dia 28 para discutir novamente essa operação, já aprovada pela Assembléia Legislativa.
Xavier disse que convocou o conselho logo que foi informado da decisão da Justiça que anulou o pacto de acionistas entre Sanepar e Dominó Holdings, integrado pelas empresas Construtora Andrade Gutierrez, banco Opportunity, grupo francês Sanedo (ex-Vivendi) e Companhia Paranaense de Energia (Copel). A recente decisão da Justiça do Paraná foi mais um lance na disputa jurídica, que envolve governo do Paraná e Dominó Holdings, grupo que conquistou posição de comando na empresa após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ocorrida em julho último.
Xavier antecipou que, se não houver esse reforço nas contas da empresa, os financiamentos externos, já negociados para sustentar um amplo programa de saneamento no Estado, ficam inviabilizados.
O aumento de capital na Sanepar aprovado pela Assembléia transforma a dívida no valor de R$ 398 milhões que a empresa tem junto ao governo do Estado em ações do governo, sócio majoritário com 52,5% do capital. Xavier disse que se a Dominó Holdings quiser também poderá comparecer à essa chamada de capital na forma da lei, ou seja, limitada à participação acionária do grupo que é de 34,7% do capital da empresa.
Xavier salientou que a Sanepar precisa desse aumento de capital para que a empresa possa captar as linhas internacionais de financiamento no valor de R$ 1,3 bilhão. Na hora de analisar os empréstimos e financiamentos, os bancos dão prioridade às empresas que não estão com sua capacidade de endividamento próxima do limite. Com a transformação da dívida que a Sanepar tem com o governo em ações, a empresa retoma a capacidade de captar mais recursos, explicou.
Pedro Henrique Xavier disse que sempre permaneceu no comando do Conselho de Administração, mesmo no período que vigorou a decisão do STJ que passou o comando da empresa para a Dominó Holdings. Xavier, que chegou a anunciar a sua saída do cargo, disse que sua atuação se limitou a avaliar os procedimentos licitatórios e exames formais dos contratos da empresa.
Pelo segundo dia consecutivo, o executivo da AG Participações omposto pela construtora Andrade Gutierrez, banco Opportuniy e grupo francês Sanedo , Renato Torres de Faria, não se manifestou quando procurado pela Folha.


