Governo de Minas entra com ação contra a União
Ivana Moreira
Agência Estado
De Belo Horizonte
A Procuradoria-Geral de Minas Gerais interpôs ontem, no Supremo Tribunal Federal (STF), uma ação de indenização por danos morais contra o presidente Fernando Henrique Cardoso, a União, o Banco Central (BC) e o presidente da instituição, Armínio Fraga Neto. A Procuradoria de Minas protocolou também representação na Procuradoria da República no Distrito Federal contra Fraga Neto por improbidade administrativa.
A ofensiva judicial contra o presidente da BC é a resposta do governador Itamar Franco (PMDB) às declarações feitas em Nova York a investidores estrangeiros. Fraga Neto desaconselhou o grupo a ir para Minas Gerais. Com as duas ações interpostas ontem, já são três os processos do governo mineiro contra o Executivo federal. No último dia sete, o Estado havia interposto ação penal pública contra Fraga Neto na Procuradoria da República.
As declarações do presidente do BC irritaram vários políticos e lideranças empresariais em Minas Gerais. Partidos políticos chegaram a aprovar moções de repúdio. Em entrevista, Itamar afirmou que, num país sério, certamente Fraga Neto voltaria para casa demitido. O governador argumentou ainda que um presidente do Banco Central não pode denegrir a imagem de um Estado da federação no exterior.
Fraga Neto será homenageado em Belo Horizonte na próxima quinta-feira. O Prêmio Executivo do Ano será concedido pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef) e estava confirmado antes das declarações feitas em Nova York a um grupo de investidores.
No dia da homenagem, Itamar estará na França, onde fará palestra sobre a resistência dos Estados ao avanço da ditadura dos mercados financeiros. Ele viaja no domingo e só retorna no dia 29.
Antes de embarcar, o governador concederá entrevista coletiva. Na oportunidade, Itamar deverá comentar as expectativas do governo estadual sobre a indenização por danos morais que está reivindicando.





