Governo dá tratamento especial a dissidentes
PUBLICAÇÃO
domingo, 12 de janeiro de 1997
Agência Estado 
BRASÍLIA - Além de mobilizar os senhores do voto no Congresso, para aprovar a emenda da reeleição, o Palácio do Planalto dá uma atenção especial aos dissidentes de sua base com influência junto a setores importantes da opinião pública. São deputados VIP, como Jair Soares (PFL-RS) ou Almino Affonso (PMDB-SP), por exemplo. Eles estão sendo assediados, em alguns casos, até pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, que deseja saltar da emenda para a campanha eleitoral, sem perder alguns aliados estratégicos.
Há votos notáveis, que não devemos deixar cair no colo da oposição, explica o líder do governo na Câmara, deputado Benito Gama (PFL-BA). Almino Affonso tem bom trânsito na esquerda e é amigo do presidente da República, que chegou a indicá-lo para a vice-liderança na Câmara, mas tem se comportado como um rebelde desde a votação, em 1995, da quebra do monopólio da Petrobrás. Foi procurado pelo ministro Sérgio Motta e pelo próprio presidente.
Jair Soares rebelou-se quando foi destituído, ano passado da presidência de uma comissão que analisava a emenda de reforma da Previdência. Está recebendo tratamento especial porque foi, no passado, ministro e governador do Rio Grande do Sul. O deputado José Rezende (PPB-MG) é respeitado na bancada ruralista e tem boas relações com o ex-governador Hélio Garcia, de quem foi secretário de Segurança. Seu voto, por isso, é tão importante quanto o do colega Romel Anísio (PPB-MG), que presidiu a Assembléia de Minas no mesmo período.
Quinta-feira, o presidente recebeu os pós-comunistas Roberto Freire (PPS-PE), Sérgio Arouca (PPS-RJ) e Augusto Carvalho (PPS-DF). Junto com Fernando Gabeira (PV-RJ), eles votarão a favor da emenda, mas querem que ela seja submetida a um referendo popular. Como o governo não acredita na hipótese do referendo, vale a participação da esquerda como cereja do bolo da reeleição.


