Governo cria Plano B contra CPI dos Correios
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quarta-feira, 25 de maio de 2005
João Domingos e<r>Christiane Samarco<br> Agência Estado 
Brasília - Deputados da esquerda do PT e integrantes do PMDB ligados ao ex-governador e secretário de Governo e Coordenação do Estado do Rio, Anthony Garotinho (PMDB), transformaram-se nos principais obstáculos à operação montada pelo governo com o objetivo de impedir a abertura de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar corrupção nos Correios. Os dois grupos foram os mais resistentes às pressões para retirar as assinaturas do requerimento da CPI. O documento foi lido na manhã de ontem em sessão conjunta da Câmara e do Senado, mas o governo teria até a meia-noite para tentar reverter a situação. Só nesse horário, a lista de apoio seria considerada formalmente fechada.
Diante das dificuldades para abafar a CPI, o governo montava uma estratégia alternativa. Caso não conseguisse que um número suficiente de deputados retirassem as assinaturas, o Planalto entraria em ação para boicotar a reunião de instalação da CPI, trabalhando para que os aliados não compareçam a nenhuma reunião. A idéia é impedir a escolha do presidente da comissão.
Pelas contas dos líderes do governo, pelo menos oito dos 19 deputados do PT que assinaram o requerimento a favor da CPI manteriam o apoio, enquanto dos 39 do PMDB, pelo menos 24 resistiriam à pressão do Palácio do Planalto. Nesse clima de desobediência da base aliada, líderes da oposição, como Rodrigo Maia (PFL-RJ), faziam as contas e diziam que, mesmo com toda a pressão, a CPI teria de 180 a 193 assinaturas, na pior das hipóteses. No início da noite, havia a possibilidade de que no Senado pelo menos seis petistas aderissem à CPI.
Além da estratégia de negar quórum à CPI para impedir que ela comece a investigação política e dê palco à oposição, os governistas têm outra alternativa para frear os trabalhos da comissão. Na sessão do Congresso em que o pedido de CPI foi lido, o vice-líder do governo João Leão (PL-BA) apresentou recurso à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara contra o requerimento, argumentando que este é inconstitucional porque não aponta para fato determinado. O presidente da CCJ, Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), disse que daria prioridade a esse recurso. O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), contou o que o Planalto quer: que a CCJ imponha limite às investigações, reduzindo-as aos Correios.
Não será uma operação fácil. O vice-líder do PFL Antonio Carlos Magalhães Neto (BA) disse que a CCJ tem 207 recursos na fila de votação. ''Já avisei ao deputado Biscaia que não há por que dar preferência ao recurso de interesse do governo. Ou votamos os 207 que estão na frente, ou vamos obstruir os trabalhos da CCJ.''
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que mandou uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para defender as assinaturas na CPI, obedeceu a decisão da bancada no Senado e não assinou nenhum documento. Mas, agitado, andou pelos corredores do Senado e da Câmara o dia todo. Dizia que a CPI era bem-vinda para o País.
Apesar de tantas traições na base aliada e no partido, o governo agiu com vigor e não hesitou em buscar apoio até mesmo na oposição. O presidente nacional do PSDB, senador Eduardo Azeredo (MG), foi à tribuna denunciar o assédio à deputada Ana Alencar (PSDB-TO) que, segundo ele, pressionada pelo Palácio do Planalto, aceitou retirar a assinatura e migrar para o PL. Na falta de outro argumento mais convincente, o líder do PL, Sandro Mabel (GO), ameaçava os dissidentes com a intervenção nos diretórios estaduais e municipais e minar as bases eleitorais e dificultar a reeleição deles. (Colaboraram Cida Fontes e Denise MadueÀo).


