Agência Estado
De Brasília
O governo federal vai criar uma unidade móvel de emergência para investigação e desarticulação do crime organizado nos Estados, um grupo inspirado na operação ‘‘Mãos Limpas’’ italiana, que combateu e desarticulou a ação da máfia na Itália. O grupo, que receberá o nome de Núcleo de Combate à Impunidade, terá representantes do Ministério da Justiça, delegados e agentes da Polícia Federal e procuradores da República e contará com assessoria da Receita Federal e do Banco Central, segundo informou o ministro da Justiça, José Carlos Dias.
José Carlos Dias deixou claro ontem que o governo pretende dar prosseguimento ao trabalho deflagrado pela CPI do Narcotráfico, que tem desvendado esquemas de quadrilhas de narcotraficantes em vários Estados, apoiando as investigações por meio das instituições federais.
O ministro disse ser contrário à transformação da CPI do Narcotráfico em comissão permanente de investigação, como pretendiam o relator da CPI, deputado Moroni Torgan (PSDB-CE), e o secretário Nacional Antidrogas, Walter Maierovitch. ‘‘O Legislativo não tem função policial’’, disse o ministro.
A intenção do governo é ‘‘dar respostas ágeis e prontas’’ para a sociedade brasileira, segundo Dias. A definição do núcleo foi discutida pelo ministro com o diretor da Polícia Federal, Agílio Monteiro Filho, e o procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, na viagem que fizeram ao Acre, no último final de semana.
O Núcleo de Combate à Impunidade terá a participação de um representante direto do gabinete do ministro da Justiça, dois delegados federais, agentes e dois procuradores da República. O grupo terá assessores da Receita Federal e do Banco Central para levantar informações de forma rápida. Os trabalhos serão feitos de forma itinerante e o grupo terá apoio financeiro imediato do Ministério da Justiça.
O ministro José Carlos Dias afirmou que o grupo vai realizar ‘‘perícias’’ instantâneas. O ministro disse que o grupo só não será composto por juiz federal, para a realização de julgamentos, pela inviabilidade constitucional. O presidente Fernando Henrique vai reunir esta semana representantes da CPI do Narcotráfico, da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, a Casa Militar e a Polícia Federal para discutir assuntos relacionados coma segurança, inclusive sobre as ações do Núcleo.

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