Governo cria comissão para discutir data-base com servidores
Após protesto em todo Estado, partes formarão comissão para buscar avanço em negociações sobre perdas salariais
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 30 de abril de 2019
Após protesto em todo Estado, partes formarão comissão para buscar avanço em negociações sobre perdas salariais
Mariana Franco Ramos - Grupo Folha 

Curitiba - O governo Ratinho Junior (PSD) e o FES (Fórum das Entidades Sindicais) vão formar uma comissão permanente para tratar da reposição salarial e de outras demandas específicas dos trabalhadores públicos estaduais. O anúncio foi feito nessa segunda-feira (29), após uma reunião de duas horas e meia de duração entre as partes, no Palácio Iguaçu, em Curitiba.
A administração estadual reconhece a dívida com o funcionalismo e admite parcelar os atrasados, na casa dos 17%, conforme o FES. A questão é como e quando será possível efetuar o pagamento. No começo do mês, Ratinho chegou a afirmar para a imprensa que a concessão da data-base ainda em 2019 seria "muito difícil", o que desagradou às diversas categorias.
O encontro terminou às 13h30, pouco depois da passeata dos servidores chegar à Praça Nossa Senhora de Salete, em frente à sede do governo, e o clima era de tranquilidade. Segundo a PM (Polícia Militar), que diz ter usado drones na medição, mais de sete mil pessoas participaram da mobilização. Os organizadores falam em dez mil.
"Está restabelecido o diálogo. Hoje foi um momento histórico. Todos os representantes dos servidores estavam sentados conosco conversando. O Estado tem dificuldades para cumprir com aqueles compromissos atrasados de 2017 e 2018 e mais a data-base. A comissão vai tratar desses assuntos e resolver ao longo de maio, para encontrar uma saída que seja boa para os dois lados", afirmou o vice-governador, Darci Piana.
De acordo com ele, o FES vai indicar cinco membros, que vão formar o grupo ao lado de dois deputados estaduais e de integrantes das pastas da Fazenda e da Administração. "O Estado vai apresentar suas condições financeiras. Temos um respeito extraordinariamente grande pelos servidores, mas existe algo seríssimo que é o respeito à lei, não ultrapassar o estabelecido pelo governo federal. Precisamos ter cuidado", pontuou.
Na avaliação do vice-governador, que representou Ratinho, em agenda na capital federal, é necessário avaliar dois cenários: com e sem a aprovação da reforma da Previdência. "Sabemos da responsabilidade que temos, sabemos dos atrasos que existem. Não sabíamos de quanto era. Agora temos isso na mão", reforçou.
"O governo vai parcelar esse reajuste dentro da medida das finanças, que pode ser muito boa se for aprovada a reforma da Previdência. O Estado e o País dependem muito do que vai acontecer na votação. Se for aprovada, a gente vai ter com certeza um crescimento da economia, que vai ajudar. Caso não for e tivermos dificuldades, essa comissão vai ter que ter bom senso e buscar uma solução boa para os dois lados", completou.
Sindicato
O presidente da APP-Sindicato, Hermes Leão, tem avaliação diferente. Afirmou saber que o governo não poderia arcar já com os atrasados, porém, que seria possível sim garantir a inflação, independente do cenário em Brasília. "Nós entendemos que o governo já teria condição de hoje ter apresentado de forma muito objetiva a aplicação do reajuste [de 4,8%] na folha de maio. Foi importante o encaminhamento, mas insuficiente, considerando o tempo. Esse é o ponto de largada", comentou.
Leão lembrou que os servidores são contrários à reforma, uma vez que ela mexeria com as aposentadorias. "Desconhecemos a necessidade de retirada de qualquer direito para que seja feito o pagamento da inflação. O governo tem sim condições de sustentar o reajuste da inflação dos últimos 12 meses, que é de 4,8%. Não pedimos aumento de salário. É correção do poder de compra do último período".
Protesto
O ato unificado começou por volta das 9 horas, na Praça Santos Andrade, e percorreu o centro da capital. Além de pressionar o governo para pagar o reajuste, o conjunto de servidores relembrou os episódios registrados em 29 de abril de 2015, na gestão Beto Richa (PSDB). Naquela data, mais de 200 pessoas ficaram feridas, reprimidas pela PM.


