Brasília - No mês de junho e nos três primeiros dias de julho - véspera do bloqueio do repasse de verbas da União para convênios com Estados e municípios, que começa hoje, por exigência da Lei Eleitoral -, o governo celebrou 1.262 convênios, no valor total de R$ 1,261 bilhão. O valor corresponde a 70,2% de tudo o que foi liberado nos cinco meses anteriores.
O levantamento feito pela assessoria técnica da liderança do DEM no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) mostra ainda que, além de o governo acelerar a assinatura dos convênios, eles ficaram mais robustos. A média para cada um nos cinco primeiros meses do ano foi de R$ 53 mil, enquanto na véspera do dia que é conhecido na burocracia federal como o ''dia da farra do boi'' a média foi de R$ 99 mil por contrato firmado. A maior parte dos recursos envolve repasses para prefeituras, governos estaduais e entidades.
Como houve respeito ao prazo legal, os recursos poderão ser liberados durante a campanha para as eleições de outubro, quando serão escolhidos prefeitos e vereadores nos 5.564 municípios do País. O Palácio do Planalto admitiu que apressou a assinatura dos convênios. De acordo com a assessoria do ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, a pressa se deu porque há o prazo estipulado pela Lei Eleitoral, o dia 5 de julho. De acordo com o ministério, a razão foi técnica, para garantir o repasse das verbas e a continuidade de obras e programas sociais do governo.
Não é o que acha o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia. ''É a cara do governo usar uma justificativa técnica para esse tipo de ação. A liberação acelerada traduz o uso da máquina com fins eleitoreiros.''

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