Brasília A 24 dias do início do recesso parlamentar, o governo corre contra o relógio para conseguir aprovar no Congresso os projetos considerados prioritários pelo Palácio do Planalto. A principal preocupação do governo é com o Senado, que está com a pauta sobrecarregada de propostas à espera de votação, entre elas a Medida Provisória que fixa o salário mínimo em R$ 260, a Lei de Falências e os projetos de biossegurança e da Parceria Público-Privada (PPP).
Além do tempo exíguo, o governo terá de driblar a ausência dos cerca de 100 deputados e quatro senadores candidatos às eleições municipais deste ano, que começam a definir os rumos de suas campanhas e os apoios com o início das convenções partidárias, previstas para esta quinta-feira. E para ganhar mais tempo na apreciação dos projetos de interesse do governo, a líder do PT no Senado, Ideli Salvati (SC), vai propor que a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) sofra um atraso.
Pela Constituição, os parlamentares só podem entrar em recesso, a partir de 1º de julho, caso a LDO seja aprovada até o fim deste mês. ''O calendário está bastante apertado e é dentro desse contexto que existe a hipótese de atrasar a votação da LDO. Com isso nós ganharíamos alguns dias. Mas ainda não conversei com ninguém sobre essa proposta'', afirma a líder petista.
A sua sugestão não é, no entanto, bem recebida na Câmara. ''A agenda prevê a votação da LDO até o dia 30 de junho. Não precisa atrasar essa a votação'', diz o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP). Ao contrário do Senado, a pauta da Câmara tem apenas duas propostas de interesse do Planalto que precisam ser votadas antes do recesso parlamentar: os projetos das agências reguladoras e o que facilita o financiamento do setor de construção civil. ''Vamos votar esses dois projetos entre os dias 15 e 17'', garante João Paulo.

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