Governo contesta reportagem sobre site
PUBLICAÇÃO
domingo, 29 de janeiro de 2006
Equipe da Folha 
Curitiba - A reportagem ''Site sobre gestão tem navegação difícil'', publicada pela Folha de Londrina no último dia 23, provocou reações do governo do Estado. O texto abordou o site ''Gestão do Dinheiro Público'', que abre para a população todos os gastos do governo do Estado desde janeiro de 2005. A proposta da matéria foi mostrar que, apesar da iniciativa positiva e pioneira do Paraná em expor os gastos da sua administração pela internet, o usuário do site encontra dificuldades para navegar. A reportagem apontou algumas falhas no sistema, sem tirar o mérito da iniciativa que indica transparência na administração pública. Um economista convidado pelo jornal para navegar pelo site comentou os pontos positivos e negativos do serviço.
Para exemplificar uma dessas falhas no site, a Folha de Londrina usou o nome da primeira-dama do Estado, Maristela Quarenghi de Mello e Silva, atual diretora do Museu Oscar Niemeyer. Na reportagem, a Folha afirmou que ao digitar o nome da primeira-dama do Estado no campo de busca do site o resultado que se obtém são os gastos realizados por toda a Casa Civil do governo e não somente os da diretora do museu.
Cumprindo seu papel educativo, o texto explicita quais gastos são de fato da diretora do Museu Oscar Niemeyer (R$ 33,01 mil em 2004 e R$ 7,77 mil de janeiro a novembro de 2005) e que o restante são do CNPJ da Casa Civil, órgão ao qual a primeira-dama está vinculada.
Porém, o Palácio Iguaçu reagiu à publicação alegando que a afirmação feita pela reportagem, ao mostrar exemplos de gastos que aparecem quando se digita o nome da primeira-dama, mas que não foram realizados por ela, ''não retrata a realidade, pois os valores correspondem ao CNPJ da Casa Civil.''
Ao contrário da interpretação do governo, a intenção da Folha de Londrina não foi prejudicar a imagem ou criticar a primeira-dama - cujo trabalho é alvo de elogios -, e nem atribuir a ela gastos que não lhe pertencem. Estes itens não constam na reportagem. A leitura do texto não deixa dúvidas quanto ao alerta de que o site sobre a gestão do dinheiro público pode confundir o usário e causar mal-entendidos.
Também não houve má-fé da repórter, como afirma o chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, em carta emitida ao jornal (veja nesta página). A mesma reportagem mostra as explicações do coordenador da Administração Financeira do Estado (Cafe), e responsável pelo site, Cesar Ribeiro Ferreira. Ele explicou aos leitores que aquela falha já havia sido detectada e a equipe dele estava trabalhando no sentido de corrigi-la. Consta no texto a explicação de Ferreira de que ''quando se coloca o nome da primeira-dama aparece tantos gastos porque ela está cadastrada no CNPJ da Casa Civil''. E Ferreira completou: ''Mas só descobrimos as falhas na medida em que o público nos dá informação''.
A Folha de Londrina apontou na matéria pontos positivos da página do governo, como o fato ser fácil o acesso e entedimento dos gastos das secretarias de Estado. Além disso, o texto principal diz logo em sua frase inical que ''a idéia é inovadora e já foi premiada no Brasil''. A mesma reportagem afirma ainda que a idéia é pioneira, mostra o tempo que levou e como o site foi desenvolvido e também aponta três prêmios que a iniciativa recebeu no ano passado. A matéria foi realizada apenas com a intenção de mostrar as falhas para tentar contribuir para que uma iniciativa que denota transparência, sempre apreciada, se torne ainda melhor.


