Governo contesta regime único para os servidores
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segunda-feira, 27 de outubro de 1997
Curitiba 
O governo do Paraná ajuizou no último dia 16 de outubro adin (ação direta de inconstitucionalidade) contra dispositivos da lei estadual que extingiu o quadro de funcionários públicos celetistas (regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho - CLT), transformando-os em servidores do Regime Único. A ação tramita no STF (Supremo Tribunal Federal), em Brasília, e tenta derrubar brechas legais que obrigam o governo a pagar benefícios trabalhistas retroativos à lei. A notícia, divulgada ontem pelo deputado de oposição Luiz Claudio Romanelli (PMDB), coincide com o Dia do Servidor, comemorado antecipadamente ontem pela maioria das repartições públicas.
O procurador-geral do Estado, Luiz Carlos Caldas, explica que há atualmente uma enxurrada de ações judiciais contra o Poder Executivo reclamando direitos trabalhistas que, no seu ponto de vista, não são devidos. É uma polêmica antiga que precisa ser solucionada de uma vez pelo Supremo. Os tribunais do Paraná já entendem que não podemos levar em conta a retroatividade para certos tipos de benefícios, avalia. Caldas cita a licença especial como exemplo. A cada cinco anos, o servidor estatutário tem direito a tirar uma. É um absurdo, mas tem ex-celetista, com 20 anos de casa, que quer o benefício estendido, reclama o procurador.
A adin ajuizada pelo governo foi alvo de críticas de Romanelli. Segundo ele, a medida penaliza ainda mais os servidores. Esse é o presente do governador aos servidores públicos em seu dia. Essa ação é prova de que o governo, em vez de valorizar os servidores, quer prejudicá-los. O que o governo pretende? Que os atuais estatutários voltem a ser celetistas? Quer passar a responsabilidade da aposentadoria dos funcionários públicos novamente ao INSS?, questiona. Ele entende que a adin compromete a lei como um todo e não apenas os dispositivos invocados pelo governo.
Luiz Carlos Caldas discorda do deputado e afirma que a adin só se refere à contagem do tempo de serviço. Não atinge a sistemática já definida. O Estado continuará responsável pelas aposentadorias. E ninguém está tentando retornar ao regime da CLT, ou repassar responsabilidades ao INSS, garante. O governo, na verdade, não quer abrir precedentes e pagar benefícios indevidos aos servidores públicos num momento em que o Paraná é pressionado pelo governo federal a se adequar à lei Rita Camata, que limita em 60% das receitas líquidas os gastos com a folha de pagamento. Dados da Secretaria da Fazenda revelam que o Estado consome hoje cerca de 78% de sua receita com o funcionalismo.
A lei que extinguiu os cargos celetistas foi sancionada pelo ex-governador Mário Pereira (PMDB), em 21 de dezembro de 92. (L.D.)


