Curitiba - O secretário Estadual de Obras Públicas, Julio César Araújo Filho, contestou ontem, durante a apresentação semanal da Escola de Governo, os números referentes a obras do governo que teriam problemas divulgados na semana passada pelo presidente da Comissão de Fiscalização da Assembléia Legislativa, deputado estadual Artagão Júnior (PMDB).
As informações foram repassadas à imprensa pelo deputado depois de uma reunião da Comissão que contou com a presença do próprio secretário de Obras Públicas e do secretário de Estado de Desenvolvimento Urbano, Luiz Forte Netto. Os números divulgados por Artagão Júnior davam conta de que pelo menos 800 obras públicas estariam paralisadas, atrasadas ou teriam sido mal executadas. O deputado, que é da base de apoio do governo, contestou na época também a ausência de um cadastro único que apontasse as empresas que venceram licitações e depois tiveram problemas para executar as obras. Na opinião do deputado, essa ausência acabaria permitindo que empresas que não fizeram um bom trabalho continuassem atuando com o governo.
Ontem, Araújo Filho disse que esses dados fazem parte de informações de ''arquivo'' da secretaria e que os problemas, na maioria dos casos, já teriam sido resolvidos. ''Em contratos diretos nós temos 14 obras paralisadas porque as empreiteiras não estavam atuando de acordo com o contrato ou abandonaram a obra'', disse. O secretário afirmou ainda que dez destas obras já estariam em processo de nova licitação e apenas quatro ainda dependeriam de decisão judicial para novas licitações e a retomada das obras.
Entre essas obras paralisadas estariam a construção do Hospital Anísio Figueiredo (Zona Norte) e Hospital Doutor Eulalino Iná (Zona Sul), em Londrina. ''Este foi um caso em que fizemos uma rescisão amigável com a empreiteira que não conseguiu concluir as obras. A previsão é de que a nova licitação esteja concluída até janeiro'', disse o secretário.
Além destas, outras 51 obras realizadas em convênios com municípios e associações também estariam paralisadas aguardando que os conveniados providenciem correções ou novos processos licitatórios que permitam a continuidade dos projetos. O secretário disse ainda que o relatório apresentado aos deputados na Assembléia incluia 200 obras que seriam realizadas em convênios mas sequer iniciaram por decisão do conveniado. As obras não poderiam ser retiradas do relatório, segundo o secretário, enquanto não houver uma desistência formal.
Araújo Filho afirmou ainda que a Secretaria de Estado da Administração Pública (SEAP) trabalha em um cadastro único de empresas que tiveram problemas na execução de obras em qualquer um dos órgãos do Estado. Ele negou que as empresas que apresentaram problemas continuem atuando e participando de licitações. Segundo ele, pelo menos oito empresas já teriam sido suspensas por não atender aos contratos.
O secretário de Desenvolvimento Urbano, Forte Netto, também negou que os problemas citados durante a reunião com a Comissão de Fiscalização sejam atuais. Ele afirmou que estão paralisados, aguardando uma nova licitação, apenas três obras em contratos diretos do governo estadual e outras 20 que seriam realizadas mediante convênio.

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