Curitiba - A secretaria da Casa Civil do governo estadual contestou ontem afirmações de deputados de oposição, de que haveria abusos no uso de cartões de crédito corporativos por parte de funcionários do Executivo. Na última terça-feira, o líder do PSDB na Assembléia Legislativa, Ademar Traiano, divulgou que apenas em janeiro teriam sido gastos R$ 120 mil, por meio do cartão, para o pagamento de uma pousada. Segundo a Casa Civil, a quantia se refere ao crédito disponível para cobrir despesas de servidores em viagem durante todo o ano, o que ainda não foi gasto totalmente. Ainda assim, o parlamentar cobra mais transparência nas informações sobre os cartões.
A utilização dos cartões corporativos vinha sendo questionada por Traiano desde o fim de maio, quando protocolou na Assembléia um pedido de informações sobre o assunto. Pedido que foi rejeitado pela maioria governista. O tucano, então, enviou um ofício diretamente à Casa Civil, pedindo que fossem divulgados quais servidores utilizaram o cartão, quais foram os valores reembolsados e quais as respectivas despesas.
Na última terça, Traiano recebeu resposta da Casa Civil afirmando que os valores poderiam ser consultados na página da internet Gestão do Dinheiro Público. Lá, o tucano verificou que, nos gastos de janeiro, constavam, entre outras, despesas de R$ 120 mil para ressarcimento com alimentação e pousada. Cifra que deixou o deputado alarmado, já que considerava que os R$ 120 mil teriam sido gastos em uma única pousada.
Ontem, a assessoria de imprensa da Casa Civil divulgou nota em que afirma que ''as despesas lançadas em janeiro representam recursos para serem utilizados ao longo do ano, e não apenas naquele mês ou no dia em que foram descritas''. A decrição de gastos com ''pousada'' se referem, ainda de acordo com a nota, à verba destinada ao pagamento de refeições e pernoites nas viagens de servidores ao longo de 2007. Apesar de ter sido creditado em janeiro em conta corrente específica para este fim, a Casa Civil afirma que o dinheiro ''ainda não foi totalmente esgotado''.
A nota diz ainda que o mesmo ocorre com R$ 500 mil lançados em janeiro para cobrir gastos de servidores. Cita como exemplo ainda que cerca de R$ 80 mil deste total teriam sido reservados para ''abastecimento de veículos e pagamento de pedágio até 31 de dezembro de 2007'', sendo que até agora foram gastos ''apenas R$ 28 mil''. A Casa Civil diz também que a comprovação das despesas está condicionada à apresentação de documentos fiscais, que posteriormente são analisados prlo Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Apesar do esclarecimento, Ademar Traiano ainda cobra novas infomações sobre os gastos com os cartões. ''A resposta da Casa Civil foi vaga, assim como as informações no site. Não há detalhamento de como e por quem exatamente este dinheiro é usado'', disse o líder do PSDB, acrescentando que pode protocolar novo pedido de informações. ''Acho que o cartão facilita o seu uso exacerbado'', concluiu.

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