Governo consegue 'enterrar' CPI da Navalha na Câmara
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quinta-feira, 14 de junho de 2007
João Domingos<BR>Agência Estado 
Brasília - O governo conseguiu enterrar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara, destinada a investigar fraude em licitações e corrupção em obras públicas executadas pela empreiteira Gautama. Conferidas todas as assinaturas dos deputados, existem apenas 169 válidas, duas a menos do que o mínimo de 171 (um terço dos deputados, conforme exigência regimental) necessário para que uma CPI seja instalada. No Senado, foram conseguidas 30 assinaturas, três a mais do que o número exigido, que é de 27.
Apesar de não ter conseguido as assinaturas necessárias, a CPI da Navalha, como ficou conhecida, por causa da Operação Navalha da Polícia Federal (PF) que prendeu 46 pessoas em nove Estados e desbaratou a quadrilha envolvida em fraudes a licitações públicas, não foi ainda arquivada. Por decisão do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a Mesa do Senado vai aguardar para ver se surge alguma nova assinatura a favor da CPI. O nome de Renan apareceu em algumas das escutas telefônicas feitas pela PF. Como é parte envolvida, não quis determinar o arquivamento imediato da CPI, para evitar críticas à sua atuação.
Como reconheceu o deputado Júlio Delgado (PSB-MG), ''a CPI da Navalha nasceu morta''. O governo jogou duro e impediu que seus deputados assinassem o requerimento para as investigações. Os alertas contra a CPI foram dados principalmente pelo PT.
O líder do partido na Câmara, Luiz Sérgio (RJ), chegou a alertar que se fossem abertas investigações, o governo teria muitas dificuldades para aprovar os projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), visto que envolve licitações e obras. E o líder do governo, José Múcio Monteiro (PTB-PE), conversou com cada um dos parlamentares da base para convencê-los a não apoiar as investigações.
Quando os partidos de oposição entregaram as assinaturas para a instalação da CPI, na quarta-feira à tarde, anunciaram ter conquistado 172 deputados, um a mais do que o necessário. Mas nem isso conseguiram. De acordo com a secretária-geral do Senado, Cláudia Lyra, foram entregues 202 assinaturas, sendo 31 repetidas. Portanto, válidas eram 171.
Acontece que a do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP) não conferiu, derrubando os apoios para 170. E, quarta-feira à tarde, o deputado Lindomar Garçon ((PV-RO) enviou à Mesa requerimento de retirada de sua assinatura, o que reduziu a lista para 169.


