Governo consegue conter adesão à CPI da Navalha
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quinta-feira, 24 de maio de 2007
Gabriela Guerreiro e Renata Giraldi<br>Folhapress 
Brasília - O governo federal pressiona nos bastidores deputados e senadores da base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para não assinarem o requerimento de instalação da CPI da Navalha no Congresso. Como o governo tem maioria na Câmara, conseguiu conter a adesão dos deputados à CPI. Até agora, só 153 deputados assinaram o requerimento - são necessárias ao menos 171 assinaturas. Das 153 assinaturas somente duas são do PT.
No PMDB, maior bancada da Câmara com 93 deputados, somente quatro deputados aderiram à comissão. Nenhum deputado do PC do B e do PR, aliados de Lula desde o primeiro mandato, assinou o requerimento.
Diante da pressão do governo contra a CPI, os aliados temem frustrar o Palácio do Planalto no momento em que negociam cargos no segundo escalão.
O esforço do Palácio do Planalto é para impedir que os parlamentares assinem o requerimento. O governo avalia, segundo a reportagem apurou, que é mais fácil conter a adesão dos parlamentares no início da coleta de assinaturas que forçá-los a retirá-las.
No Senado, a pressão do governo não teve efeito diante do equilíbrio de forças entre parlamentares da base aliada e da oposição. No total, 29 senadores já aderiram à CPI - dois a mais que o mínimo determinado pelo regimento da Casa para que a CPI seja instalada.
Oficialmente, os governistas negam a pressão do Executivo contra a CPI do Apagão. Paulo Rubem Santiago, um dos petistas que assinou o requerimento de instalação da comissão, disse que ''não existe qualquer orientação do governo'' para que a base aliada não apóie as investigações. ''Tivemos reunião da bancada (do PT) hoje e não houve condição de fechar questão. Mas não há orientação contrária à CPI'', disse ontem.
O líder do PT na Câmara, deputado Luiz Sérgio (RJ), também afirmou que o governo não atuou para barrar a CPI da Navalha. Contrário à instalação da CPI, Sérgio disse que o Congresso tem outros mecanismos para colaborar com as investigações da Polícia Federal nas fraudes reveladas pela Operação Navalha. ''A Câmara não pode se constituir por algo a reboque, não deve ser a 'rabiola' sempre atrás da Polícia Federal. Se houver necessidade de participação da Câmara nas investigações, mesmo assim a CPI não é instrumento.''


