Agência Folha
O governo decidiu ontem, cinco dias depois de escolher o delegado aposentado João Batista Campelo para a direção geral da PF, investigar as denúncias de que ele teria participado de sessões de tortura nos anos 70. A posse de Campelo foi mantida para hoje, às 16 horas, mesmo estando o delegado sob investigação do serviço de inteligência comandado pelo chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso.
Segundo o porta-voz da Presidência, Georges Lamaziére, FHC não conhecia os documentos que ligam Campelo à tortura: um laudo de corpo de delito do ex-padre José Antônio Monteiro e uma sentença da Justiça Militar obsolvendo da acusação de colaboração com a guerrilha, uma vez que teria havido ‘‘coação física e moral da parte da polícia’’ durante a investigação. Campelo era o delegado responsável pelo inquérito. No Congresso, a manutenção do nome de Campelo para a direção da PF começou a causar constrangimento entre os aliados.
‘‘Se houver um fato novo, o governo terá de tomar providências’’, afirmou o líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves (MG). ‘‘O governo deve olhar a questão com muita atenção’’, afirmou o líder do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE). Para o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (PMDB-RN), se forem confirmadas as denúncias, Campelo não deve assumir o cargo
Ainda de acordo com o porta-voz da Presidência, Georges Lamaziére, as informações que o governo tinha e têm são todas favoráveis a Campelo e não indicam nenhuma participação dele nesse tipo de situação.

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