Governo começa articular mudanças nos ministérios
Governo começa articular
mudanças nos ministérios
Agência O Globo
O presidente Fernando Henrique Cardoso não vai apenas mudar algumas caras no Ministério na reforma que, muito discretamente, começou a formular e quer anunciar em julho. Atendendo a sugestões de aliados políticos, convenceu-se de que é preciso fazer ajustes na estrutura do Governo, extinguindo secretarias e fundindo ministérios. O presidente está estudando diversas fórmulas e até a organização do Palácio do Planalto deve mudar.
Além de extintas as secretarias, deverá ser aberto espaço para um ministro político. Voltou a circular o nome do paranaense Euclides Scalco, coordenador político da campanha de Fernando Henrique. O do ex-senador José Richa chegou a ser cogitado, mas são remotas as chances de ele chegar à Esplanada. Os dois tucanos têm a vantagem de estar afastados do partido e das últimas intrigas entre PFL, PMDB e PSDB. Tem que haver alguém no Planalto que poupe o presidente do desgaste da articulação política a todo o momento, diz um auxiliar do presidente.
Esse personagem não pode ser alguém que esteja hoje no centro do tiroteio, dizem auxiliares de Fernando Henrique. Mas vai, sem dúvida, esvaziar funções do chefe da Casa Civil, Clóvis Carvalho, além de assumir as do secretário de Relações Institucionais, Eduardo Graeff. Carvalho deverá continuar no Governo mantendo o papel de gerente de projetos e programas. Há sugestões, porém, de mudanças também nessa área, reduzindo ou acabando com as câmaras setoriais na órbita da Casa Civil. Essas câmaras não servem para nada. Só para dar desculpa aos ministros que não querem tocar os projetos, diz um interlocutor do presidente.
A extinção de secretarias e órgãos auxiliares da Presidência que serviram para abrigar ex-ministros é praticamente certa. Na linha de tiro, estariam a de Planejamento e Avaliação, de Edward Amadeo; a Câmara de Comércio Exterior, de José Botafogo; e o Ministério Extraordinário de Projetos Especiais, de Ronaldo Sardenberg. A Secretaria de Comunicação, ocupada por Andrea Matarazzo, também poderá ser reformulada. Poderá ser incorporada ao Ministério das Comunicações, se a pasta resistir à reforma, ou à estrutura da Presidência.
Até Matarazzo tem defendido a extinção da secretaria como um bom exemplo aos outros colegas. As fórmulas em estudo prevêem também o enxugamento da Esplanada. Isso, porém, vai exigir muita engenharia política. Os ministérios dos Transportes, das Comunicações e das Minas e Energia, esvaziados depois das privatizações, poderão ser fundidos na superpasta da Infra-Estrutura, que ficaria nas mãos do ministro Eliseu Padilha (PMDB).
Para contentar o PFL e, ao mesmo tempo, acabar com a superposição de funções na habitação, seria criado o Ministério do Desenvolvimento Urbano, reunindo a Caixa Econômica, a Secretaria de Habitação e os órgãos que tratem do tema. Essa pasta poderá abrigar o líder Inocêncio Oliveira ou mesmo Rodolpho Tourinho, que sairia das Minas e Energia com a criação da Infra-Estrutura.
Bombardeado pelos políticos, e apesar do bom relacionamento com Carvalho, o secretário de Desenvolvimento Urbano, Sérgio Cutolo, deixaria o Governo. Por desapreço às relações políticas e falta de resultados, Cutolo deverá deixar o Governo. Ele contava com a simpatia de Pedro Malan (ministro da Fazenda), mas nem isso tem mais, diz um influente parlamentar.





