O governo federal montou uma megaoperação para sequestrar os bens no Brasil e no exterior do juiz foragido Nicolau dos Santos Neto. A estratégia do governo foi anunciada ontem pelo ministro da Justiça, José Gregori, ao revelar a criação de um grupo de trabalho, que envolve vários ministérios e a Polícia Federal, para bloquear todo o patrimônio do ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo (TRT-SP).
‘‘Estamos agindo no sentido de bloquear os bens do juiz também no Brasil’’, afirmou o ministro da Justiça. Segundo Gregori, o trabalho já começou a apresentar resultados positivos, com a proibição pela Justiça dos Estados Unidos da venda do apartamento de Nicolau, em Miami, e o bloqueio das contas dele em bancos suíços. O FBI, a Polícia Federal americana, descobriu que Nicolau tem US$ 7 milhões depositados na Suíça.
O ministro Gregori disse ontem que recebeu da Justiça suíça a informação de que Nicolau tentou, por meio de seus advogados, retirar os US$ 7 milhões que estão bloqueados, em bancos daquele país, a pedido do governo brasileiro. Gregori acha que a decisão em relação ao pedido só deve sair em 15 dias. Ele acrescentou que o Brasil contratou advogados na Suíça para tentar impedir o desbloqueio do valor.
A proposta do governo é identificar o valor desviado da obra superfaturada e inacabada do Fórum Trabalhista paulista e, a partir daí, pedir o sequestro dos bens móveis, imóveis e das aplicações financeiras que estiverem em nome de Nicolau dos Santos Neto. ‘‘Vamos compensar parte do desvio dos recursos do TRT com os bens do juiz, estejam eles no Brasil ou no exterior’’, avisou Gregori. Com esse trabalho, o juiz Nicolau dos Santos Neto poderá perder todos os bens adquiridos com recursos desviados da obra TRT paulista.
Segundo levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU), foram desviados R$ 169 milhões durante a construção do prédio. A CPI do Judiciário identificou que parte deste dinheiro foi parar nas contas das empresas do grupo OK, de propriedade do ex-senador Luiz Estevão (PMDB-DF), cassado há cerca de dois meses.
No caso do apartamento de Miami, na Torre Bristol, o bloqueio da venda do imóvel foi pedido pelo Ministério da Justiça ao governo americano, há cerca de um mês. A liminar foi expedida anteontem por um juiz federal da Flórida e confirmada pelo diretor do Departamento de Estrangeiros do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto.
Após o despacho, um advogado da empresa Stedman Properties, de Miami, entrou com pedido na Justiça da Flórida alegando ser proprietário do apartamento. Mas o FBI já comprovou, há duas semanas, que a venda do apartamento foi uma farsa. As investigações do FBI mostraram ainda que não há registros que confirmem a passagem por território americano e nem mesmo a existência de um cidadão de nome Dino Manzanini, para quem o juiz teria vendido o apartamento.

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