O governo fará concessões aos aliados na tentativa de garantir os votos para aprovar na próxima semana a reforma administrativa. Deverá haver recuo na quebra da estabilidade, a parte do texto mais difícil de ser aprovada. Alguns aliados rejeitam a demissão de servidores públicos.
Já no estilo de enfrentamento do novo líder do governo, Luís Eduardo Magalhães (PFL-BA), serão suspensas as negociações com o bloco de oposição. ‘‘Se temos de fazer concessões, vamos fazer a nossos aliados’’, disse o líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE). ‘‘Não podemos negociar nada na essência’’, afirmou o líder Luís Eduardo. ‘‘Mesmo que o fim da estabilidade não passe, vamos mostrar quem é que protege os funcionários incompetentes’’, afirmou o líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves (MG).
Serão três as concessões aos aliados, que farão parte de uma emenda a ser apresentada pelos líderes da base do governo na terça-feira. A demissão por insuficiência de desempenho, prevista no projeto original do relator Moreira Franco (PMDB-RJ), terá suas regras definidas em uma lei complementar; o estágio probatório, que a proposta eleva de dois para cinco anos, deverá ser de três anos e, se a situação estiver difícil, poderá até voltar para os dois (como é hoje); também será definido o que é atividade exclusiva de Estado, com estabilidade plena para o corpo diplomático, fiscais da receita e policiais federais.
Os líderes acreditam que, se houver mobilização, na próxima semana é possível terminar de votar o primeiro turno da reforma administrativa. Restam ainda oito votações complicadas, como a da quebra da estabilidade, que as oposições desejam derrotar; o teto de vencimentos; a autorização para que os governadores e os prefeitos fixem subtetos e a proibição de repasse de verbas da União para Estados e destes para os municípios que não cumprirem a determinação constitucional de limitar a folha de pagamento a 60% da receita.
A orientação do governo é para que, paralelamente, à reforma administrativa seja votada a Lei Geral das Telecomunicações. Como a proposta da reforma administrativa está emperrando a pauta, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), vai convocar sessão extra a partir de terça-feira, para que assuntos que não se referem à emenda possam ser votados.
‘‘Temos de correr, porque logo, logo, estaremos chegando a outubro e as atenções vão se voltar para a campanha eleitoral’’, disse o líder Inocêncio Oliveira. A ordem do governo é votar em junho até mesmo a emenda constitucional que prorroga o Fundo de Estabilização Fiscal (FEF) de 30 de junho a dezembro de 1999.

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