Brasília - Com receio de que o PMDB passe a integrar o bloco de oposição liderado por PSDB e PFL, o governo decidiu ontem dar ao partido a liderança no Congresso, cargo atualmente ocupado pelo senador Aloizio Mercadante (PT-SP). O senador Amir Lando (PMDB-RO) deve ser o indicado do partido para assumir o cargo. Mercadante, que aprovou decisão do governo e a indicação de Lando, negou que sua substituição tenha sido uma retaliação do governo às suas recentes críticas à política econômica. ''Tem cinco meses que estou trabalhando por isso. Estou contente demais'', disse. Mercadante continua sendo líder do PT no Congresso. No Senado, o cargo é de Tião Viana (AC).
Amir Lando disse que ainda não foi formalmente convidado para assumir a liderança do governo no Congresso. No entanto, ele admitiu que os rumores são grandes e já chegaram a seus ouvidos. ''Rumores são como tempestades e às vezes é melhor ignorá-las. Prefiro esperar pela convite oficialmente'', disse. O senador, no entanto, entrou em contradição ao dizer que o convite deverá ser feito pelo próprio Marcadante. Lando disse que, se for confirmado, aceita o convite que isso representaria o começo da integração do PMDB na base do governo Lula. ''A negociação entre governo e PMDB está ganhando corpo e forma, mas será anunciada pelo executivo'', disse.
O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) disse que a liderança será do PMDB e que isso será o primeiro passo para a possível reforma ministerial, que deve ocorre logo após a aprovação das reformas. ''Esta ficando acertado é que o PMDB, por conta da reforma ministerial, terá um espaço proporcional ao tamanho do partido e a sua representatividade na sociedade. ''Na próxima semana vamos desencadear gestos de lado a lado para fechar esse casamento'', disse.

mockup