Governo cede e pode mudar texto da Previdência
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quarta-feira, 09 de julho de 2003
Agência Estado 
Brasília- O governo decidiu ceder e negociar a reforma da Previdência ao concluir que, se mantivesse uma posição intransigente, correria o risco de esfacelar sua base de apoio no Congresso. Tanto o PT quanto os demais partidos aliados mostravam-se sensíveis aos argumentos de que a essência da reforma era a permissão para que os grandes grupos financeiros nacionais e internacionais passassem a controlar os fundos de pensão. ''Com essa mudança na reforma, que mantém a aposentadoria integral, o governo terá o apoio incondicional do PC do B'', festejou a deputada Jandira Feghali (RJ) da tribuna da Câmara.
O governo sabia que não seria fácil aprovar a proposta da reforma da Previdência do jeito que a enviou ao Congresso. Os primeiros sinais apareceram ainda em maio. Um grupo de deputados e senadores petistas influentes recusava todos os apelos feitos pelo Palácio do Planalto para aceitar a reforma da Previdência. Argumentava que o maior problema não era a cobrança da contribuição previdenciária dos servidores públicos inativos, como entendido por muitos, mas a possibilidade de abertura dos fundos de pensão para o setor privado, uma questão que recebeu o combate claramente ideológico dos parlamentares de esquerda.
Ao contrário dos quatro parlamentares radicais que deverão ser expulsos do PT e fizeram muito barulho por causa da reforma - a senadora Heloisa Helena (AL) e os deputados João Batista de Araújo, o Babá (PA), João Fontes (SE) e Luciana Genro (RS) -, o grupo mais resistente era grande e trabalhava em silêncio. ''Fizemos uma pressão interna muito forte e conseguimos provar ao governo que havia pontos extremamente prejudiciais ao País no projeto. Ao mesmo tempo, conseguimos convencer a própria bancada de que seria necessário apresentar emendas à proposta, até porque não fomos nós que a fizemos'', diz o deputado Walter Pinheiro (PT-BA), um dos líderes do movimento.
''Optamos por não enfrentar o governo de frente e não entrar na argumentação de partidos, como o PSTU, que simplesmente exigiam a retirada da proposta de reforma da Previdência. Agimos de forma diferente, para que pudéssemos mudar o projeto aqui no Congresso'', explicou Pinheiro.


