Governo cede e ameniza aumento no IR
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sábado, 29 de novembro de 1997
Agência Estado Brasília 
Arquivo FolhaElogiosFernando Henrique Cardoso: presidente elogiou o civismo dos parlamentares neste momento de criseO presidente Fernando Henrique Cardoso cedeu à pressão do PFL e decidiu amenizar o aumento de imposto de renda da pessoa física e o corte de incentivos previstos no pacote de ajuste fiscal. Depois de passar a quinta-feira (27) conversando com líderes dos diferentes partidos da base, Fernando Henrique reuniu-se ontem no Palácio da Alvorada com o relator da Medida Provisória 1.602, que institui o pacote, deputado Roberto Brant (PSDB-MG). O resultado do acordo será incorporado ao texto do relator, para ser votado no Congresso quarta-feira (03). Logo depois, convocou a imprensa para anunciar as diretrizes políticas do acordo.
Fernando Henrique faria apenas um pronunciamento, mas acabou respondendo às perguntas dos jornalistas por 35 minutos. Ele evitou dar números precisos, gaguejou algumas vezes e fez acenos de paz para os políticos. Ao destacar a presteza extraordinária do Congresso e agradecer de coração o apoio que vem recebendo, Fernando Henrique citou os principais aliados do governo: desde o presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL), principal opositor do aumento do imposto de renda, seus líderes no Congresso, o relator da MP, deputado Roberto Brant (PSDB-MG), senadores da região Norte, como o líder do PMDB, Jader Barbalho (PA), até o governador do Amazonas, Amazonino Mendes, que se irritou com a redução dos incentivos da Zona Franca de Manaus.
O presidente repetiu, várias vezes, que o acordo garantiu o essencial: o ganho fiscal de R$ 20 bilhões. Ele chegou a se exaltar quando um dos jornalistas indagou se o acordo não poderia ser interpretado como um recuo do governo. Não estou recuando nada, afirmou. Se não for R$ 20 bilhões então houve recuo. Fernando Henrique não detalhou as alterações. Não sou técnico, estou dando as diretrizes políticas, ponderou. Isso é um processo político, mas a concretização disso se dá no Congresso. O presidente disse que não há braço-de-ferro entre o governo e o Congresso, mas união. Braço-de-ferro é contra os especuladores.
Pela primeira vez, Fernando Henrique admitiu que poderá convocar o Congresso durante o recesso parlamentar. O Congresso está limpando a pauta e se houver avanços, sim (vamos convocar), disse. O presidente ressaltou que nunca deixou de confiar na aprovação das reformas constitucionais e justificou que isto aconteceu porque o governo consegue convencer os parlamentares da importância das mudanças.
Ele começou seu pronunciamento enumerando os bons resultados obtidos pelo governo no seu mandato. Lembrou que em 1993 o País recebeu US$ 1 bilhão em investimentos e em quatro anos o total de investimentos atingiu US$ 17 bilhões. O investimento cresceu quase 17 vezes num período muito curto de tempo, comentou o presidente, lembrando que o Brasil ainda está no início do processo de privatizações.
O presidente também creditou ao Congresso o mérito deste avanço, por ter aprovado as reformas da área econômica. E destacou o civismo dos parlamentares no momento de crise enfrentado recentemente pelo Brasil. O Congresso colocou na pauta aquilo que era importante para o Brasil, afirmou. No fragor da batalha, ou dos debates, muitas vezes dá a impressão de que as coisas são muito difíceis, mas quando se sentam à mesa há pensamento nacional, há vontade cívica.
Fernando Henrique justificou por que o governo não negociou o ajuste com os parlamentares, antes de enviá-lo para o Congresso. As medidas foram tomadas diante de um desafio, disse. O presidente voltou a dizer que fará tudo para manter o crescimento econômico no próximo ano, garantiu que os gastos estão sobre controle, mas não quis apontar um percentual de crescimento. Não cabe ao governo contemplar, apostar, chorar: cabe agir.
Para o presidente quem anda atrás de popularidade não governa. Fernando Henrique negou que esteja preocupado com a queda nos índices de sua popularidade. Em certos momentos o governante não tem que pensar, afirmou. Popularidade a gente vê mais tarde.


