Curitiba - O governo do Paraná está disposto a brigar na Justiça com as seis concessionárias que exploram o pedágio para evitar o reajuste nos preços a partir de 1º de dezembro. A entidade que representa os empresários, a Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR), já avisou que vai aplicar o aumento anual previsto em contrato mesmo que o governo não o homologue.
Pelo tom do procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, a briga será acirrada. ''Várias irregularidades graves foram apontadas envolvendo todas as concessionárias que operam no Anel de Integração'', declarou o procurador-geral. Lacerda, porém, manteve o suspense. Disse que as irregularidades só serão divulgadas após o final da auditoria feita pelos técnicos do governo e depois que as concessionárias forem notificadas. De acordo com o Palácio Iguaçu, a comissão conclui a auditoria em dez dias.
Segundo o presidente regional da ABCR, João Chiminazzo Neto, no final de novembro as concessionárias vão encaminhar ao Departamento de Estradas de Rodagem (DER) o cálculo do percentual de reajuste, como acontece todos os anos. Mesmo que o DER não se manifeste no prazo contratual de cinco dias homologando ou questionando o índice , as empresas vão aplicar o aumento. ''Nosso procedimento vai ser cumprir o contrato'', resumiu.
A aplicação do reajuste este ano promete ser tão polêmica quanto a do ano passado. O governo Jaime Lerner (hoje PSB, na época PFL) recusou-se a homologar os 11% de aumento, através do DER. Amparados nos contratos, as seis concessionárias foram à Justiça e garantiram a aplicação dos 11% de aumento. Segundo Chiminazzo, a Justiça considerou que, como o aumento anual fazia parte do contrato, não havia necessidade de se recorrer a uma sentença judicial para amparar o aumento, bastando o respaldo contratual.
A equipe do governador Roberto Requião (PMDB) busca uma solução rápida para a questão. O primeiro escalão e os assessores jurídicos do governo continuam debruçados sobre os contratos (firmados na gestão Lerner). Na quarta-feira, os secretários Waldyr Pugliesi (Transportes), Caíto Quintana (Casa Civil), Heron Arzua (Fazenda), e o diretor do DER, Rogério Tizzot, fizeram uma reunião a portas fechadas, mas o governo ainda não anunciou oficialmente uma solução.
A demora virou arma nas mãos da oposição. O deputado Luiz Carlos Martins (PSL) fez um pronunciamento na tribuna da Assembléia, lembrando que já se passaram dez meses de governo e o pedágio continua sendo cobrado nas estradas do Anel de Integração. O líder da bancada de oposição, Durval Amaral (PFL) que já foi secretário de Estado no primeiro governo Requião , provocou. Disse que, primeiro, Requião acabaria com a cobrança ou reduziria os preços. Agora, completa Amaral, a meta de Requião é impedir o aumento previsto para dezembro.

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