Leandro Donatti
De Curitiba
O governo do Paraná está buscando no exterior alternativas para sair do sufoco financeiro e dar andamento ao ‘‘Paraná Urbano’’, o único programa estadual envolvendo obras de infra-estrutura que não foi interrompido por conta do ajuste fiscal. O governador Jaime Lerner (PFL), que está em viagem aos Estados Unidos desde a semana passada, dedicou parte da sua licença para convencer o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) a liberar mais US$ 83 milhões para o Estado. A audiência com o BID foi em Washington, anteontem.
Os US$ 249 milhões autorizados pelo BID, em 1996, para o ‘‘Paraná Urbano’’, já foram empenhados na integralidade. O encerramento do programa aconteceu no último dia 30 de novembro. Com a contrapartida do Estado e dos municípios, a carteira de recursos do programa chega a US$ 415 milhões. Para não ter de pedir autorização do Senado e comprar nova briga com os senadores Roberto Requião (PMDB) e Osmar Dias (PSDB) – que ao longo de 1997 conseguiram segurar três pedidos do Paraná de autorização para financiamentos internacionais – o governo Lerner ofereceu como garantia ao BID um crédito já acertado com a entidade japonesa Overseas Economic Cooperation Found (OECF).
‘‘A nossa idéia é substituir esta fonte de financiamento por recursos do BID, uma instituição que vem apoiando o Paraná Urbano desde o início e reconhece a sua importância. Mais participação do BID vai significar mais agilidade na execução dos projetos’’, afirmou o governador, conforme repassou a sua assessoria em Curitiba. As novas negociações do Paraná com o BID não são de agora. O secretário de Estado do Desenvolvimento Urbano, Lubomir Ficinski, já conversa com a cúpula do BID há meses, na tentativa de obter um ‘‘sim’’ da instituição financeira norte-americana.
Para o secretário, não há necessidade de apresentação de novo projeto, já que os US$ 83 milhões farão parte do ‘‘Paraná Urbano’’. ‘‘Basta aditar o atual contrato e manter a parceria’’, avaliou Ficinski, que ontem estava no interior do Estado. ‘‘O dinheiro é mais um investimento equivalente a R$ 160 milhões. Um reforço importante num programa bem sucedido, que tem o apoio unânime de todos os prefeitos e que constitui a base da transformação dos municípios paranaenses’’, reforçou Lerner, via assessoria.
O senador Osmar Dias disse ontem à tarde que a operação pleiteada pelo governo Lerner junto ao BID é um novo pedido de empréstimo, tendo obrigatoriamente de passar pelo Senado. ‘‘No projeto de resolução (autorizado pelo Senado no final do ano retrasado) consta o agente financeiro, o valor financiado e o projeto para aonde vai dinheiro emprestado. Não tem como ficar fazendo substituições de uma hora para outra. Seria o mesmo que usar um crédito autorizado por um banco em outro banco’’, argumentou o senador, integrante da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).
A Folha tentou contato com o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, que cuidou direto das negociações dos empréstimos internacionais em 1997, para ouvir posição técnica sobre o assunto, mas não foi possível. Gionédis não retornou recado deixado na caixa postal de seu celular.Meta é conseguir US$ 83 milhões para o Programa Paraná Urbano, mas Osmar Dias diz que operação precisa de aval do Senado
John Harrington/DivulgaçãoEM AÇÃOLerner, durante reunião em Washington com os diretores do BID Ricardo Santiago, Manuel Rapoport e Christian Gomez

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