Governo busca candidato único na eleição da Câmara
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 12 de julho de 2016
Carla Araújo e Julia Lindner<br>Agência Estado 
Brasília - Mesmo com a formalização de Marcelo Castro (PMDB-PI) como mais um candidato da base aliada para concorrer à sucessão de Eduardo Cunha na presidência da Câmara, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse que ainda acredita que até a eleição, prevista para ocorrer esta quarta-feira (13) é possível que a base do governo tenha um único candidato. "O governo trabalha com a ideia de que a base tenha um candidato só. Até a hora da eleição, governo acredita que isso será possível", disse, contradizendo a tese de que o governo não está interferindo na disputa.
Questionado se o governo tem trabalhado para tentar convencer Castro a desistir da candidatura, Padilha disse que "não só o Marcelo Castro". "Queremos que fique um só. Se for o Marcelo Castro 'esse um só', não será ele (que o governo tentará convencer para retirar)", disse. "Queremos que fique um só da base do governo", reforçou.
Para Padilha, caberá aos líderes fazerem os acordos que podem, inclusive, ir além do mandato tampão da presidência da Câmara. "Nós estamos pensando que (os líderes) podem fazer acerto para 2016, 2017, 2018. Não precisa ser só 2016. Tem muito jogo pela frente", disse.
Padilha repetiu que muita coisa pode acontecer até a eleição desta quarta e reforçou que o objetivo do governo é manter o quórum acima de dois terços "que nos assegura aprovar o que o Brasil está precisando". "Estamos fazendo de tudo para mantermos a nossa base", disse. Ele reforçou que o governo entrando na disputa só tende a perder. "Olhem o passado, queremos olhar pra frente", disse.
Mesmo com os rachas na base, Padilha disse que não vê a oposição "com chance de fazer o presidente da Câmara".
O ministro negou que o fato de Castro ter votado contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff cause desconforto para o governo e citou o caso de Leonardo Picciani (PMDB-RJ), que também votou a favor de Dilma, e hoje está no governo Temer. "O PMDB tem sido compreensivo com algumas dissidências internas", disse.
CANDIDATOS
Os deputados Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Miro Teixeira (Rede-RJ) registraram ontem as suas candidaturas à presidência da Câmara dos Deputados, que acontece na tarde desta quarta-feira. Com eles, a disputa já possui 14 candidatos. As inscrições podem ser feitas até o meio-dia de hoje e os candidatos podem desistir da eleição até uma hora antes da sessão, às 16 horas.
Tido como um dos favoritos, Maia passou o dia buscando apoio de outras legendas. Ele defende que o bloco informal da "antiga oposição" (DEM, PPS, PSB e PSDB) tenha uma candidatura única. Para isso, o deputado Júlio Delgado (PSB-MG) teria que desistir de concorrer ao pleito. Delgado já adiantou que poderá abrir mão da disputa para evitar que o aliado de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Rogério Rosso (PSD-DF), vença. Ele ainda não tomou a decisão.
Além de Maia e Teixeira, estão inscritos Fausto Pinato (PP-SP), Carlos Gaguim (PTN-TO), Carlos Manato (SD-ES), Marcelo Castro (PMDB-PI), Fabio Ramalho (PMDB-MG), Fernando Giacobo (PR-PR), Cristiane Brasil (PTB-RJ), Luiza Erundina (PSOL-SP), Rogério Rosso (PSD-DF), Evair de Melo (PV-ES), Beto Mansur (PRB-SP), Esperidião Amin (PP-SC). Os candidatos terão dez minutos para falar hoje.


