Brasília - O governo brasileiro já traçou duas linhas básicas das negociações que terá com o novo comando do Paraguai. A primeira: o Tratado de Itaipu é intocável, mas outras formas de engordar o caixa do país vizinho poderão ser analisadas. A segunda: a ajuda não será de graça.
São idéias que já estavam em discussão antes das eleições e poderão ser colocadas sobre a mesa durante a visita que Fernando Lugo, presidente eleito, fará a Lula antes de assumir o governo, no dia 15 de agosto. O presidente brasileiro ainda não confirmou sua participação na cerimônia de posse, mas, nos bastidores, é dado como certo que ele irá.
A ajuda mais imediata é o financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a construção de uma linha de transmissão entre Itaipu e a região de Assunção. A capital paraguaia sofre com constantes apagões, não porque falte eletricidade, mas pela deficiência da infra-estrutura para levá-la até os consumidores. Esse problema dificulta a industrialização da região. No momento, técnicos trabalham no projeto de engenharia do ''linhão''. O investimento total é estimado entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões.
Outra idéia é constituir um fundo de desenvolvimento do Paraguai com pagamentos antecipados pela energia de Itaipu. Discute-se a possibilidade de antecipar US$ 200 milhões ao ano, durante os próximos quatro anos. Esse dinheiro seria descontado depois de 2023, quando termina o pagamento da dívida contraída para a construção da usina. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse que não se opõe à idéia, que depende, porém, de aprovação do Ministério da Fazenda.
Outra forma de alívio financeiro, já concedida no passado, é permitir que o Paraguai saia ganhando toda vez que Itaipu gerar eletricidade acima do projetado. Hoje, quando a usina produz mais do que o esperado, permite-se que o Paraguai utilize essa eletricidade extra, que lhe é cedida pela metade do preço. Assim, sobra mais energia para o país vizinho vender ao Brasil, na tarifa normal.
O Brasil está disposto ao diálogo com o Paraguai, mas pedirá contrapartidas. Uma delas é uma cooperação maior entre as polícias dos dois países. A fronteira gigantesca e mal policiada prejudica o ambiente de negócios nos dois lados e é ambiente fértil para atividades ilegais, como contrabando de armas, drogas e mercadorias. Especialistas consideram que esse deveria ser o centro das conversas entre Brasil e Paraguai.

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