'Governo bate cabeça', diz João Paulo
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sexta-feira, 21 de março de 2003
Agência Estado 
São Paulo - O presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT), detonou uma crise, logo na manhã de ontem, ao admitir que falta organização política na articulação entre o governo e o Congresso. ''O governo ainda não acertou o comando no Congresso'', afirmou. ''Os desafios são grandes e estamos batendo cabeça.''
As afirmações de João Paulo, feitas na Associação Paulista de Supermercados (Apas), foram uma reação às perguntas sobre as negociações entre o governo e PMDB, que ocorriam naquele instante, em Brasília, em encontro entre os presidentes da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP), e os líderes do PMDB na Câmara, Eunício Oliveira (CE), e no Senado, Renan Calheiros (AL).
João Paulo elogiou o PMDB, considerado vital para que a base governista consiga aprovar as reformas estruturais, mas avaliou que a desarticulação havida até agora atrapalha a votação na Câmara ''porque não permite ter um calendário com um pouco mais de segurança''. Na prática, há uma desavença entre João Paulo e o líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), sobre a condução dos trabalhos no Congresso e a forma de atrair principalmente o PMDB. A discórdia chega ainda ao território do chefe da Casa Civil, José Dirceu, em tese o responsável pela articulação política.
Depois das críticas, João Paulo defendeu Lula pela iniciativa de pôr a miséria no centro do debate com o programa Fome Zero. ''Mas não tivemos só acertos, também tivemos erros e temos de assumi-los'', disse, a respeito desse programa. O presidente da Câmara fez também elogios ao presidente, por não ter vacilado em adotar medidas impopulares - por exemplo, o aumento do superávit primário, mesmo sabendo que isso tiraria recursos da área social - ou o aumento dos juros, com todos os efeitos negativos para o setor produtivo.
João Paulo disse que vê as reformas - tributária, previdenciária, trabalhista e política - como ''uma alavanca para mudarmos a política econômica''. Segundo ele, ''não adianta fazer reformas e manter os juros em 30%, não mexer no câmbio, não aumentar as exportações''. Ele diz estar preparando a Casa para votá-las rapidamente. ''Quando chegar a proposta do governo, o que for comum poderá ter um trâmite mais rápido.''


