Governo avalia que Temer quer forçar rompimento
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quarta-feira, 09 de dezembro de 2015
Valdo Cruz<br> Folhapress 
Brasília - O Palácio do Planalto avalia que o vice-presidente Michel Temer (PMDB), com sua "dura" carta recheada de críticas à presidente Dilma Rousseff, "quer forçar que o governo rompa com ele" para que o peemedebista fique mais livre para se posicionar sobre o processo de impeachment. Segundo assessores presidenciais, Temer não quer ficar com o "ônus" do rompimento e tenta fazer com que ele venha do Palácio do Planalto. A orientação tirada na noite de segunda-feira em reunião da presidente com sua equipe, quando a carta de Temer foi divulgada, é que o governo não reaja ao documento exatamente para não dar ao vice os "argumentos" que ele busca para se distanciar ainda mais da petista.
Para auxiliares presidenciais, o peemedebista adotou uma postura, nos últimos dias, de distanciamento e de silêncio para provocar uma reação negativa da presidente Dilma. Um auxiliar diz que a carta foi apenas o "fecho" desta estratégia. Dentro do governo, a avaliação é que o tom pesado do documento escrito por Temer "não combina com o estilo do vice" e "assustou" o Palácio do Planalto porque não esperava que o peemedebista "chegasse a este ponto".
A carta, segundo auxiliares presidenciais, praticamente inviabiliza qualquer tipo de diálogo daqui para a frente e é um último passo do grupo de Temer na direção do rompimento. Do lado do vice-presidente, ele insistiu na noite de segunda que sua carta não significa um rompimento. A amigos, Temer disse que o documento escrito por ele foi um "desabafo", porque a presidente Dilma buscava divulgar uma versão que não combina com os fatos: o de que confia nele, numa estratégia, vista pelo grupo do vice, como uma forma de constrangê-lo a criticar o processo de impeachment.
No documento, enviado à presidente em caráter pessoal e privado, Temer diz que sempre teve "ciência da absoluta desconfiança da senhora e do seu entorno em relação a mim e ao PMDB". Ele diz que passou os primeiros quatros anos de governo como "vice decorativo". O vice começa a carta dizendo que a palavra voa, mas o escrito fica. Por isso, diz, preferiu escrever. Avisa, então, que está fazendo um "desabafo" que deveria ter feito "há muito tempo".
Na avaliação de amigos do vice, a carta realmente representa o rompimento com a presidente Dilma, apesar de o peemedebista não querer dar esta conotação ao documento. Temer demonstra profundo incômodo com declarações e ações de Dilma, de seu governo e de seus aliados sobre a "confiança" que devotam a ele. "Desde logo lhe digo que não é preciso alardear publicamente a necessidade da minha lealdade", escreve. "Tenho-a revelado ao longo destes cinco anos."
"Entretanto, sempre tive ciência da absoluta desconfiança da senhora e do seu entorno em relação a mim e ao PMDB. Desconfiança incompatível com o que fizemos para manter o apoio pessoal e partidário ao seu governo", sustenta Temer.


