Governo avalia que crise no Planalto está superada
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2004
Agência Estado 
Brasília - O Palácio do Planalto avalia que conseguiu baixar a temperatura da crise provocada pelo caso Waldomiro Diniz e está determinado a manter o ministro da Casa Civil, José Dirceu, no governo. Em reunião realizada ontem com o núcleo político de seu governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que não há estratégia para fugir do assunto e quer manter a rotina do governo. Mas o governo não desistiu de uma agenda positiva, que será adotada em março.
Para demonstrar normalidade, viaja hoje para Belém (PA) e depois para Caracas, na Venezuela, embora o vice-presidente José Alencar, com pneumonia, esteja impossibilitado de assumir o cargo. ''O caso Waldomiro é um caso de Polícia. Mandei investigar e fim'', afirmou Lula no encontro com os ministros no Palácio do Planalto. O ex-subchefe de Assuntos Parlamentares foi flagrado em gravações cobrando propina e contribuições eleitorais do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
Oficialmente, a reunião de ontem não foi para tratar da crise, mas o assunto consumiu mais de duas das quatro horas do encontro. Além de Dirceu, estavam presentes os ministros Antônio Palocci Filho (Fazenda), Aldo Rebelo (Coordenação Política), Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência) e Jaques Wagner (Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Social), além do advogado-geral da União, Álvaro Ribeiro da Costa. No diagnóstico do governo, a Medida Provisória 168, que proibiu o funcionamento dos bingos e caça-níqueis teve efeito satisfatório, apesar dos protestos dos donos de casas de jogo. Mas não se pode dizer que o governo esteja tranquilo: a ordem é aguardar a retomada das atividades do Congresso para avaliar os seus desdobramentos. De qualquer forma, o Planalto acha que pode contar com o ''companheiro'' José Sarney (PMDB-AP), presidente do Senado, para segurar a investigação.
Ainda bastante abatido, Dirceu voltou a dizer a Lula, em conversa reservada, que está disposto a se afastar do cargo para preservar a administração. Lula não aceitou. O governo acha que, se afastasse Dirceu, daria a mão à palmatória. Em outras palavras: admitiria que o chefe da Casa Civil está envolvido com as irregularidades cometidas por seu homem de confiança e o PT cairia em desgraça num ano de eleições.


