O procurador-geral do Estado, Joel Coimbra, mandou providenciar ontem uma cópia do depoimento do ex-secretário de Fazenda de Maringá Luis Antônio Paolicchi, prestado à Justiça Federal na sexta-feira. O procurador, que estava ontem em Maringá a serviço, declarou que pretende esmiuçar o depoimento com ‘‘muita cautela’’ para pensar em providências.
O objetivo de Coimbra é analisar medidas jurídicas que podem ser tomadas contra Paolicchi, depois que o ex-secretário, que está preso, declarou em depoimento na última sexta-feira, que recursos desviados da Prefeitura de Maringá também financiaram a campanha do governador Jaime Lerner (PFL) em 1998. O procurador, segundo Paolicchi, igualmente se valeu de dinheiro desviado quando era deputado estadual licenciado e se candidatou a prefeito de Maringá, em 1996.
Os secretários da Casa Civil (Alceni Guerra) e do Governo (Cid Campêlo Filho) também estão tratando do assunto, para orientar o governador nas esferas política e jurídica. ‘‘Vamos estudar todas as declarações do ex-secretário com calma para depois definir o que pode ser feito’’, resumiu Coimbra.
Ontem à noite, o deputado Orlando Pessuti (PMDB), líder da oposição na Asssembléia, disse que caso o Ministério Público (MP) consiga confirmar que a campanha de Lerner recebeu dinheiro desviado da Prefeitura de Maringá, a oposição não terá outra alternativa senão pedir o impeachment do governador. ‘‘(Mas) precisamos de mais do que uma declaração do Paolicchi para pedir o impeachment’’, avaliou.
Pessuti acrescentou que a oposição já estuda a criação de um bloco suprapartidário para atuar em parceria com o MP para ajudar nas investigações da campanha de 98. Outra medida que poderá ser adotada é substituir uma das duas CPIs propostas pela oposição – Pedágio e Jogos da Natureza – para investigar as denúncias de Paolicchi envolvendo o governo.
Na próxima terça-feira, os deputados estaduais têm uma reunião para escolher o novo líder da oposição na Assembléia. Mas o tom da conversa deverá ser o eventual impeachment de Lerner.
No depoimento, Paolicchi disse que, além de Lerner, o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) também foi beneficiado com uma quantia (não especificada) de dinheiro desviado.
A assessoria de Lerner já havia adiantado na semana passada que vai aguardar até tomar conhecimento dos detalhes do depoimento para avaliar posições. Alceni ficou indignado com as declarações de Paolicchi.
Em nota distribuída na segunda-feira, Alceni lembra que ‘‘como o próprio Paolicchi disse em seu depoimento, a direção do PFL e o governador nunca souberam da existência de tais recursos ou de sua suposta participação na campanha. Em seu depoimento, o ex-secretário afirmou que os recursos teriam sido desviados e encaminhados para um comitê sob responsabilidade do ex-prefeito de Maringá Jairo Gianoto e do próprio Paolicchi’’. Segundo Coimbra, João Carvalho Pinto, de Maringá, citado por Paolicchi, não tinha autorização para pegar dinheiro para a campanha, que estava centralizada em Curitiba.
Ontem, em entrevista à Folha, Alceni reafirmou a posição do Palácio Iguaçu. Sobre a intenção de deputados da oposição e até da base aliada ao governo de investigar as acusações do ex-secretário, Alceni disse que o governo está ‘‘tranquilo’’, independente da postura da Assembléia. ‘‘Não há um centavo na contabilidade da campanha que tenha vindo da prefeitura de Maringá.’’ Em entrevista à Folha na sexta-feira, Alvaro Dias disse que as declarações de Paolicchi de que sua campanha em Maringá teria recebido recursos públicos são ‘‘absurdas’’.

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